janeiro 30, 2005

Afinal a culpa é dos gays

Fascinante. A homossexualidade passou a ser o maior problema dos portugueses. Os técnicos de marketing do PSD já não sabem o que inventar para evitar o descalabro. Olharam para as eleições norte americanas e tentam imitar a campanha de Bush tentando tornar as questões “morais” algo que mantenha a sua votação e não faça de Santana Lopes actor principal do famoso filme “Querida(s) encolhi o partido”. No próximo congresso, quando Santana Lopes passar a pasta a Marques Mendes, os laranjas estarão reduzidos a metade, será uma espécie de PPD dos pequeninos.
António Serzedelo, da OpusGay, garante que esta manobra de tornar o casamento gay a grande questão da campanha não passa de uma tentativa para desviar a atenção dos portugueses de assuntos como o desemprego e quanto muito é uma manobra desesperada do PSD para retirar votos ao PP…
Resumidamente, todos os dias Santana Lopes dispara mais um tiro de bazuca nos pés.
Em matéria de cartazes o PS fez sair o seu melhor cartaz: uma imagem de Santana Lopes, estranhamente assinada pelo PSD, com um texto a dizer uma coisa deste tipo: “Este sim, sabemos quem é”. Cada vez que um eleitor vê, lembra-se dos últimos meses…e o PSD vai perdendo mais votos. Por este andar no fim das eleições vai ser ultrapassado pelo POUS, da tonitruante Carmelinda Pereira

Publicado por NRA em 02:59 PM | Comentários (1)

janeiro 28, 2005

Tudo sobre sondagens

Consultem SFF o blogue de Pedro Magalhães (www.margensdeerro.blogspot.com). Vale a pena.

Publicado por NRA em 04:19 PM | Comentários (0)

Não acredito em sondagens, mas que as há, há!

Como escreveu o imortal Marcelo Rebelo de Sousa no Expresso, sobre Pinto Balsemão: Santana Lopes está lélé da cuca! Tudo conspira contra ele são os bancos, o presidente Jorge Sampaio, as empresas de sondagens, os Sábios do Sião, a Irmandade dos Templários, Illuminati, os extraterrestres, a abelha Maia, a seca, as chuvas, a fome e as farturas. No dia 21, o homem está a organizar uma manifestação de santanetes contra a fraúde eleitoral. Como na Ucrânia, vamos assistir a uma verdadeira revolução laranja. Durante uma noite a Kapital vai ser ocupada. O choro vai escorrer em ambiente comedido de bar aberto. É melhor começarmos a encomendar observadores internacionais

Publicado por NRA em 03:07 PM | Comentários (0)

janeiro 27, 2005

Crise e governabilidade

Já leram o título? Experimentem soletrar sem bocejar. O problema da malfadada crise da política tem como tudo na vida pelo menos duas razões (uma pequena e outra grande). A menor de todas, é o enlevo basbaque com que a maioria dos jornalistas lêem as colunas de opinião dos cronistas de sempre. É verdade que o respeitinho é muito bonito, mas esse verdadeiro sentimento de pasmo leva-os a problematizar um pais que não existe. Segundo os Cronistas Vitalícios da Imprensa Que Temos, os maiores problemas pátrios seriam a separação entre os deputados e os eleitores, a crise das élites políticas, etc... Sejamos sérios, este tipo de coisas não interessa ao menino Jesus e não adianta nem atrasa para a porcaria de situação em que vivemos. As nossas élites políticas não são piores do que os nossos empresários - segundo um estudo europeu, dos mais bem pagos da Europa e dos mais incompetentes-, e também não são piores do que a generalidade da população portuguesa- Pelo menos a fazer fé nas audiências de determinados programas de televisão.
O nosso grande problema político é que PS e PSD sucedem-se a governar com os resultados que se conhecem. Estamos na Europa, em que o modelo de desenvolvimento tem uma preocupação social que é baseado num desenvolvimento económico intensivo, alicersado na produtividade e na formação da mão de obra. No entanto, PSD e PS fizeram de nós a Malásia do velho continente, pretendendo construir um desenvolvimento económico que apostasse na fuga ao fisco, no baixo poder de compra e na pouca inteligência. Esta estratégia gorou-se - nem mesmo o centrão conseguiu que ficássemos tão miseráveis quanto os malaios - e o tempo dos subsídios europeus está-se a esgotar. E para mal dos nossos pecados a China, a India e até a Malásia concorrem com Portugal nos mercados português, europeu e mundial. Nós estamos, na expressão celebrizada pelo insigne José Barroso, "de tanga" e bastante lixados. O tempo passou. A factura vem ai. Mas podemos esgotar o que resta a discutir a ligação entre eleitores e eleitos. No intervalo, podemos sempre escolher ministros entre a Iberdrola, a Shell e a GALP e esperar que Deus seja português.

Publicado por NRA em 12:27 PM | Comentários (0)

Deixo o planeta dos marretas

Pior que os políticos só mesmo os ex-políticos e académicos da estatística e política, mesmo aqueles de que eu gosto. Graças a Deus e a Mourinho que segue-se um jogo Chelsea vs Manchester. Só me irrita que o Mourinho vá dar uma garrafa de Barca Velha ao sir Fergusson

Publicado por NRA em 12:48 AM | Comentários (1)

A crise do sistema

Ao ver o debate da RTP sobre a crise do sistema político, descobri um rosto e uma responsável deste incómodo estado de coisas. Chama-se Fátima Campos Ferreira. Não sabe do que fala, balbucia generalidades e olha sistematicamente para o PSD e o PS de uma forma reverêncial, talvez por calcular que nomearão a próxima administração da RTP. A simpática senhora chama a isto critério jornalístico.
Era genial que a nossa política, já de si completamente mediatica, tivesse um parlamento eleito de uma forma inquinada, uninominal e inclinada para os deputados a quem a dona Fátima Campos Lima dá a palavra.
É óbvio que esta histriónica apresentadora não tem as culpas do mundo, ela é apenas um símbolo de uma época em que as pessoas têm importância porque aparecem na televisão, independentemente de não terem importância nenhuma fora dela: uma espécie de regime de variedades que passa na pantalha...

Publicado por NRA em 12:35 AM | Comentários (1)

janeiro 26, 2005

Pérolas

A polémica entre Ricardo Araújo Pereira e os PP/Moços do Acidental (a preguiça limita-me a feitura dos links) é genial. Segundo, a bétada Acidental o Gato Fedorento tem toda a liberdade, desde que apoie o partido de Paulo Portas.

Pior só a exibição do malfadado árbito do grande desafio, dois livres contra o Sporting com faltas inexistentes. A receita do costume.

Publicado por NRA em 08:25 PM | Comentários (0)

Vasos comunicantes

É interessante verificar que, no campo da esquerda, antigamente o Público escamoteava iniciativas do PCP, falava em barda do PS e acolhia com alguma simpatia o Bloco de Esquerda. Hoje, o Público não noticia a campanha do Bloco (há pelo menos dois dias), fala do PS, como sempre, e dá umas pequenas notícias sobre o PCP. Qual é o misterioso critério jornalístico do diário que acompanha a "Nova Cidadania" do João Carlos Espada? É um mistério, mas de certeza muito ético.

Publicado por NRA em 12:12 AM | Comentários (2)

janeiro 25, 2005

Conhecimento pessoal, paixão e eleições

Os cartazes da JSD que nos interrogam sobre se conhecemos José Sócrates têm uma atinada razão: pretendem colmatar uma brecha na campanha do PSD. Uma das razões que Santana Lopes já perdeu estas eleições, é que toda a gente o conhece e sabe do que ele é capaz. Cada vez que um eleitor se lembra dos brilhantes meses de governação santanista, corre a preencher um ingresso de emigração para a Islândia ou prontifica-se a votar em qualquer outro partido que não o PSD. Os laranjinhas têm razão, provavelmente se os eleitores conhececem Sócrates não votariam nele. A sua propaganda está atrasada e, quanto muito, têm razão antes do tempo. Na política como nas paixões a ignorância é mãe de todos os enlevos.

Publicado por NRA em 03:00 PM | Comentários (1)

janeiro 24, 2005

Os infiltrados

Tenho como certo que a máquina de propaganda do Partido Socialista está infiltrada por elementos do PSD. Só assim é possível acreditar que haja propaganda tão má. Para além da genial escolha dos temas: cartão único e inglês - estou a ver as hordas hululantes de eleitores a correrem aos berros para votar no PS por causa do Cartão único - , a formulação conseguida é igualmente brilhante. Atentem como se lê o cartaz do Inglês: "Inglês para todos desde o básico" José Socrates. A formulação só tem uma vantagem, é a primeira vez que o líder socialista admite as suas limitações. Só dessa forma se pode entender a brilhante estratégia sobre a marcação dos debates. O que lhe vale é que Santana Lopes nesta fase final de pré-campanha deu-lhe uma ajudinha ao recusar os debates já marcados. Assim nem a agência de comunicação do PS vale ao PSD.

Publicado por NRA em 12:46 PM | Comentários (0)

janeiro 23, 2005

Uma questão de qualidade

Há um debate muito na moda que me põe a bocejar: é o da "qualidade dos políticos". Vários cronistas insistem que a nossa classe política é má, que devia-se reduzir os deputados a poucas dezenas e pagar-lhes bem, e sobretudo que se devia identificar mais o eleitor com o eleito, através de circulos uninominais.
Para além de achar que cada povo tem os políticos, os gestores e comentadores que merece, não consigo perceber aquela necessidade freudiana de elegermos o nosso deputado. Já elegemos os nossos presidentes da câmara e dá no que dá. Esta ideia que a Assembleia da República é um conjunto de deputados na qual representam os seus eleitores da sua freguesia é falsa e mentirosa. Aquilo que se discute no parlamento são leis nacionais, aquilo que é importante nas eleições são os programas e ideologias dos vários partidos. A ideia de que adoptar um deputado seria a panaceia para a democracia é enganadora. A democracia não é refém dos partidos, ela é feita da existência de vários partidos políticos e da liberdade de se não gostamos dos existentes de fazer um outro qualquer.
Escondida nesta maravilhosa discussão está uma intenção muito menos cristalina. O de criar artificialmente maiorias através da liquidação da proporcionalidade. Se dividirmos o país em circulos uninominais só vamos ter deputados do PS e PSD. O centrão dos interesses não terá ninguém para o fiscalizar. Acontecerá como no Reino Unido quando os ecologistas tiveram 14% e não elegeram um único deputado. Isto sim, é uma violação às regras da democracia: ter milhões pessoas a votar sem conseguir eleger alguém.
Eu pessoalmente, não estou interessado em conhecer o meu deputado, muito menos que ele venha cá a casa - embora compreenda esta necessidade do António Barreto e da Filomena Mónica apimentarem a vida -, o que eu quero é que o parlamento expresse a vontade dos portugueses, seja ela qual fôr.

Publicado por NRA em 11:45 PM | Comentários (0)

janeiro 22, 2005

Estratégias de campanha

No meio de comunicação em que trabalho fomos alertados para um "facto escaldante" sobre o candidato José Sócrates que tinha sido publicado por um reputado colunista brasileiro. Consultamos o artigo em questão, que entretanto foi transcrito para a primeira página do impoluto semanário "O Crime", verificamos que o dito escriba afirmava que o líder do PS mantinha uma relação sentimental com um conhecido actor português. Um camarada meu falou com o autor das linhas que confirmou ter escrito o texto e afirmou que tinha tido conhecimento dos "factos" por um jornalista português.
Segundo me disseram elementos da JS, como por artes mágicas os cartazes do candidato socialista têm sido vandalizados em vários locais: onde se lê "Portugal tem um rumo", passou a estar um "Portugal tem um roto".
É óbvio que esta campanha, aproveitando a homofobia dos portugueses, que divulga a alegada homossexualidade do líder socialista, não é inocente e foi orquestrada. Apesar deste facto ser suficientemente grave, ainda não mereceu nenhum editorial ao esclarecido José Manuel Fernandes, nem uma linha à nova musa da direita portuguesa Helena Matos.
Sobre o que se passou no debate de Francisco Louçã com Paulo Portas: é óbvio que Louçã não é homofóbico e que não pretendia fazer insinuações sobre a orientação sexual de Paulo Portas. O dirigente do Bloco perdeu as estribeiras depois do líder do PP chamar assassinos aos defensores da descriminalização do aborto e respondeu de uma forma irritada e pouco inteligente, mostrando que também se descontrola. Este erro foi bem aproveitado pelo jornal Público, que depois de uma semana sem praticamente falar do Bloco de Esquerda, aproveitou para vender gato por lebre. Nuno Sá Lourenço, que não costuma deixar que os factos se entreponham entre ele e uma boa notícia, deve ter andado o dia todo à caça de um qualquer incauto líder do Bloco que lhe respondesse de forma a sustentar a tese da reportagem e o conteúdo do editorial de José Manuel Fernandes. Teve sorte e encontrou um "inocente útil": João Teixeira Lopes. No entanto, a evidente manipulação da notícia não torna desculpável o comentário de João Teixeira Lopes. Ninguém tem nada a ver com a vida privada de Paulo Portas e o Bloco de Esquerda é o último partido em que se esperaria ouvir alguém dizer dislates sobre a alegada contradição entre o discurso público, sobre moral, do líder PP e a sua vida privada.
É necessário que toda a esquerda recuse respostas que a coloquem ao nível da direita. Francisco Louçã devia ter sido mais hábil a denunciar a repugnante acusação de Paulo Portas de que os defensores das mulheres que abortaram são contra o direito à vida, mostrando o ridículo da acusação obrigando-o a confirmar que tinha acusado de genocídio de vidas humanas a todas as mulheres que abortaram e a todas as pessoas que não estão de acordo com uma lei que leva as mulheres a tribunal pelo o crime de interromperem a gravidez. Os olhos da filha de Louçã e a falta de entusiasmo reprodutor de Paulo Portas não eram para ai chamados.

Publicado por NRA em 12:01 PM | Comentários (4)

janeiro 21, 2005

Regresso à blogosfera eleitoral

Os papeis com os nomes dos meus amigos estão no chão da sala alugada do Hotel Murumbi. A comunicação social (leia-se as televisões) está convocada. O momento é solene e exige firmeza. Depois dos meios e espectadores bem refastelados, respiro fundo e digo: queria apresentar-lhes a minha equipa, compostas de portugueses capazes e honrados - temos gente! temos alma! -, estes e homens e mulheres vão ocupar o planeta Saturno no próximo dia 21 de Fevereiro. Esperem e verão que eu prometo e cumpro!
Depois da intervenção, ainda tive tempo para ouvir a expedita jornalista da TSF pedir opinião ao comentador de serviço: "tem uma grande importância este anúncio, não acha?"

Publicado por NRA em 11:28 PM | Comentários (0)