Ví no "Avatares de um desejo" do Bruno que há Manif contra a proibição da entrada em Portugal do "Barco do Aborto", amanhã às 15 horas junto ao ministério da Defesa, perto do Estádio do Belenenses.
Os posts, de João Miranda do Blasfémias, a tentar provar a infinita "naturalidade" do liberalismo, lembram-me sempre que os leio uma velha história de família:
A minha tia avó foi expulsa do ensino superior português no tempo de Salazar. Na altura foi para os Estados Unidos fazer um doutoramento. Um dia distribuiram na aula dela um teste para as pessoas conhecerem o seu posicionamento político. A minha familiar preencheu o teste, conferiu os resultados, e deu "muito à esquerda". Ao lado dela, um norte-americano, recioso que as autoridades universitárias soubessem das suas ideias políticas, respondeu "não sei" a todas as perguntas. Quando corrigiu o seu teste, verificou, com pasmo, que tinha dado "liberal".
De facto, a beleza dos posts de João Miranda é a sua infinita simplicidade, o problema é que ele tem a pretenção de pensar que aquilo é evidente. De simplicidade, em simplicidade ele chega a uma caricatura total das coisas e atinge um estado de ignorância redonda. Uma espécie de raciocinio do tipo: todas as pessoas têm pernas, todas as cadeiras têm pernas; todas as pessoas têm pés, todas às cadeiras têm pés; todas as pessoas têm unhas logo todas as cadeiras têm unhas...
Um dia destes João Miranda descobrirá que está provado estatisticamente que as pessoas que vestem Armani são menos apanhadas a fazer roubos de esticão e dai concluirá, arguto, que os fatos Armani impedem o roubo.
Um governo tão másculo e viríl,nada permissivo à subversão, acaba de proibir a entrada do, denominado pela imprensa, "Barco do Aborto". As justificações são duas e cheias de inteligência que o executivo de Paulo e Pedro sempre nos habituou:
1. Vão apelar à violação das leis portuguesas.
2. É um perigo para a saúde pública.
É hilariante que um barco certificado pelas autoridades médicas da Holanda, que não vai praticar nenhum acto médico no território nacional, seja considerado uma epidemia. A menos, que esteja tudo concentrado na primeira razão: o barco insere-se numa campanha contagiosa contra a estupidez (na minha opinião) das leis portuguesas.
Como essa legislação só se aplica ao território nacional, para garantir que nenhum cidadão nacional pontencialmente as viole é preciso esmagar todos os paises que não cumprem a legislação anti-aborto. A partir de agora, os cidadãos portugueses só podem visitar a Polónia, a Irlanda e o Afganistão... E é urgente pôr em marcha o bombardeamento da Clínica dos Arcos, em Badajoz. Não consigo esperar pelo momento que, bandeiras ao vento, Paulo Portas, Nuno Melo e o efebo João Almeida vão destruir Badajoz. Não se privem. E já agora, tragam caramelos de pinhão...
Garante Pires de Lima, porta-voz do PP: "foram as crianças que envolveram Ferro Rodrigues no processo Casa Pia". Não se deve dizer a idade de uma senhora, mas a drª Celeste Cardona não está um pouco entradota para ser chamada de criancinha?
Dizem alguns, com muito enlevo: o filme de Michael Moore só convence os convencidos. Então porque se preocupam em barafustar? Os inocentes e os indecentes de sinal contrário estão a salvo, e os empedernidos fundamentalistas, como eu, já estavam irremediavelmente perdidos.
Em vez de chatear, o povo em geral, com argumentos de cátedra ou citar a última publicação estrangeira de que apreciaram a lombada, podiam pensar - vício estranho e subversivo. A propósito, já encontraram as armas de destruição maciça?
O jornalista Octávio Lopes conseguiu uma providência cautelar, para impedir que a Revista FOCUS fale de qualquer facto relacionado com as gravações subtraidas ao dito Octávio. A revista não pode escrever nada sobre o assunto, nem referir nenhum dos incaútos gravados. A juíza conseguiu provar, também, a "honestidade" do jornalista do Correio da Manhã no trato com as suas fontes.
Há vários órgãos de comunicação social que teriam, alegadamente, as gravações das conversas não autorizadas pelos visados. Muitos noticiaram a questão e as suas implicações. A FOCUS perguntou aos visados, Octávio Lopes inclusive, a veracidade das informações. Parece, que segundo a justiça, fez mal. Não pode escrever, nem sequer, o que os outros jornais, rádios e televisões abordaram.
A justiça e os tribunais foram um pouco menos cuidadosos quando foram divulgadas, nomeadamente pelo Correio da Manhã, as escutas a Ferro Rodrigues.
Viva a lei da rolha selectiva!
Consta que os amigos de Octávio Lopes - o jornalista do Correio da Manhã a quem roubaram gravações - aparentemente, ilícitas de conversas com fontes do processo Casa Pia -, já não lhe dizem "olá", nem "bom dia", tendo optado pelo mais útil: " um, dois, três... experiência".