Dão-se alvísseras a quem encontrar um tipo que escreva sobre o último filme do Michael Moore. A propósito, tem que ter ido ver o filme. Picar o artigo da revistinha preferida dos "novos con", não vale.
Houve uma época, no tempo em que os animais falavam, que os jornalistas saiam em reportagem. Consta, embora as crónicas sejam ilegíveis e de uma época de antanho, que os jornalistas chegavam a falar com pessoas (alguns dos que não são jornalistas). Nahhh, era fruta a mais.
O Muro fez um ano e eu esqueci-me. Para efeméride fica a primeira pedra largada pelo Luís.
Li no "24Horas" esta educativa história:
Diogo Feyo é insigne militante do PP e foi colaborador do blogue "O Acidental". Há uns tempos postou um pequeno texto com cinco linhas e cinco erros ortográficos. Uma leitora indignada protestou. Diogo Feyo, prontamente, esclareceu o lapso. Os erros eram devidos ao facto do computador não ter corrector ortográfico. Santana Lopes soube da história e enviou o rapaz para a escola da vida: a Secretaria de Estado da Educação!
O presidente sudanês Omar al-Bashir disse estar disposto a resolver a crise, no Darfur, através de “diálogo construtivo” com a comunidade internacional. Mas negou que o seu Governo apoie as milícias árabes ‘janjawid’, acusadas de terem morto mais de 10 mil negros daquela região, violado milhares de mulheres e posto em fuga um milhão de pessoas. O Ministro dos Negócios Estrangeiros holandês Ben Bot, cujo país assegura a presidência da União Europeia, considera prematuro aplicar sanções ao Sudão pela violação dos direitos humanos, dados os sinais encorajadores que terá recebido do seu homólogo sudanês.
Li num blog, bem escrito, de um homem que me irrita, esta referência a um lugar genial . Há males que vêm por bem!
Há dias duros. Hoje morreram Carlos Paredes e Serge Reggiani. Estive algumas vezes com Paredes, não sei se escreverei mais adiante. Sobre Reggiani, lembro-me de ouvir as suas músicas e palavras na casa da minha mãe. Como homem prevenido, o cantor deixou uma carta à morte.
LETTRE À LA VIE À LA MORT
"Oui, drôle de vie, je t'aime. Oui, chienne de mort, j'ai peur de toi.
Si la mort soudain surgissait (...) en m'indiquant qu'il me reste une heure à vivre (...) je demanderais à Noelle de se tenir à mes côtés et je peindrais une ultime toile (...)
Mort je ne crois pas en toi.
Je ne te prendrai pas au sérieux quand tu viendrais me tirer par les pieds
en me disant: "Cést l'heure".
Vie, il faudra m'arracher à toi avec des tenailles rougies,
comme dans les mauvais romans".
O amigo Aznar, o herói americano com medalha do congresso dos Estados Unidos da América, tem os "pés de barro". Descobriu-se que o governo do PP espanhol pagou 2 milhões de euros!!! para obter a nobre insígnia.
Eu cá, para remediar a injustiça e a falta de cheta nacional, estou disponível para ajudar os pobres do PP nacional. É preciso, é urgente, conseguir uma medalha Congresso EUA/Farinha Amparo para o Paulo Portas, a polivalente Teresa Caeiro e os amiguinhos do Acidental . Não compres a "Cais", dá a quem precisa: Lobby para a medalha PP, já!
Completamente lixado, passo os dias a ler relatórios das auditorias do Tribunal de Contas. O que me safa são as pequenas alegrias do governo de Pedro e Paulo:
1. É uma injustiça que os sindicatos não defendam a pobre Teresa Caeiro - acorda na Segurança Social, passa a manhã na Defesa e acaba nas Artes e Espectáculos (será por causa do namorado da ENDEMOL), qualquer dia estão a mandá-la buscar cafés.
2. A heróica luta de Nobre Guedes, depois de despejado por uma operação de comando do ministro Arnaut, para encontrar uma casa para o ministério do Ambiente. Quando resolver o primeiro trabalho de Hércules, Nobre Guedes só tem de encontrar os 30 anos arquivos do ministério e as pastas sobre todos os casos pendentes atirados para a rua pelo expedito Arnaut. O que vale é que há pelo menos meia duzia de casos e um par de privatizações que o escritório de advogados de Nobre Guedes está a par.
-É possível um governo cair pelo riso? Eis a grande questão.
O amigo Santana Lopes abandonou a casa onde vivia - a residência oficial do Presidente da Câmara de Lisboa, em Monsanto. A modesta mansarda, nunca antes tinha sido ocupada por qualquer edil. A casa está devoluta, não consta que Carmona Rodrigues vá viver para lá. É possível ocupá-la?
Os leitores do Reader's Digest que saltitam alegremente na "rede" já condenaram o francês. Parece que está provado que ler na língua de Racine é meio caminho andado para um comunismo decrépito... Mas como para mim, o comunismo e os velhos hábitos são difíceis de abandonar...
"Tout se réduit en somme au désir ou à l'absence du désir. Le reste est nuance."
CIORAN
Nunca fui muito gregário. Gosto de estar sozinho com muita gente. A etiqueta dos blogs, coça-me as costas que eu coço-te as tuas, nunca me seduziu - há muito que eu tenho um lapiz com uma mão de plástico para esse efeito, uma namorada e conto ter um gato. Mas, infelizmente, a gente afeiçoa-se a algumas páginas. Estranhamente, os artistas como os suicidas aparecem em "cachos". Desgraçadamente, o ciber-espaço ficou mais pobre, nestes últimos dias. Até breve à Formiga, ao Ma-shamba e ao Cruzes Canhoto
Neruda fez 100 anos. O facto de ter sido comunista, não o faz nem bom, nem mau, poeta. Há geniais poetas com "istas" muito distantes: Neruda era um grande poeta, Ezra Pound também, e não consta que comungassem em mais nada.
O ódio que alguma direita tem a Neruda, não se deve a nenhuma apreciação literária - a maior parte deles não o leu, com medo que o seu comunismo os conspurcasse. Não podem ver Neruda, porque, entre Allende e Pinochet, escolheriam o facínora fardado e não têm coragem para o admitir.
O "M" de Fritz Lang é um dos filmes com ambiente mais pesado e soturno de que me lembro. É um negro filme (não confundir com o "filme negro"). Viu-o há muito tempo, mas ainda me lembro da cena em que os criminosos, quase espectros, julgam e condenam um assassino de crianças.
Há uma passagem de um texto do poeta expressionista Wilhelm Kleimm que parece ter uma "afinidade electiva" com o ambiente do filme e o espírito do tempo. É verdade que o poema "Meine Zeit" (Meu Tempo) data de 1917, e o filme de 1931, mas ambos são compassos do expressionismo alemão.
"Cantos e metrópoles, lavinas febris,
Terras descoradas, pólos sem glória,
Miséria, heróis e mulheres da escória,
Sobrolhos espectrais, tumulto em carris."
Para o Daniel,que está muito mais velho e que continua cheio de moderação (felizmente não em tudo), este poema do Eric Muhsam:
O REVOLUCIONISTA
Era um revolucionista.
Limpava candeeiros a gás;
Marchava que enchia a vista
C'os companheiros o rapaz.
Diz: "Vou revolucionar!"
E de boné revoltoso
Pr'a banda esquerda tombar,
Até se julga perigoso.
Mas a revoltosa gente
Mete pela rua de trás
Onde ele, pacatamente,
Limpava os candeeiros a gás.
Às lanternas deitam mão,
No pavimento enterradas;
Querem arrancá-las dos chão
Pr'a construir barricadas.
E o nosso revolucionista
Grita: "Eu sou o lavador
Desta luz que é a nossa vista.
Não ma tirem, por favor!
Se lhe cortarmos o gás
Não vê nada o bom burguês.
Por favor, voltém atrás! -
Senão, não vou com vocês!"
Mas os revoluças riram,
E o lavador foi-se embora;
Os candeeiros de gás cairam
Ele, desespera e chora.
Ficou em casa a escrever
Um livro em que diz como é
Que se revolve a valer
Deixando os candeeiros de pé.
Depois de ter visto um péssimo filme, tentei escolher algumas fitas que me tocaram, para tirar o mau sabor da boca e da retina. Tarefa difícil! Os filmes são como as cerejas: atrás de uma memória, surge sempre outra. Não consegui pensar só em 10 filmes, parei numa lista provisória de 13 filmes, com muitas batotas.
Do Orson Welles consegui resumir o, muito, que gosto a três filmes. Não incluo o "Citizen Kane", que, estranhamente, nunca consegui sentir. É muito bem feito, mas não se me entranha. Não confirma o slogan publicitário do Fernando Pessoa para a coca-cola: "primeiro estranha-se, depois entranha-se!"
1- "A Dama de Shangai" (1941) - Gosto do espaço do narrador e da voz da história. Um dos momentos mais fortes, para mim, é a descrição dos tubarões. O céu torna-se pesado com as palavras. Para tudo contribui, em todos os minutos, Rita Hayworth: é quente e mortal. Já no filme "Gilda" (1946), ela demonstrava que era muito sensual a despir um par de luvas; muito mais do que a maioria a fazer qualquer coisa. A cena final com os espelhos, apesar de ser, normalmente a mais referida, sofreu a usura do tempo. O exorbitante número de "citações" posteriores em muitos filmecos - abuso que só foi ultrapassado, em número, pelo duche do "Psico" - , pode ajudar a explicar a perda de força da sequência.
2- "A Sede do Mal" (1958) - É genial o primeiro travelling da passagem da fronteira. E obrigar Charlton Heston a fazer de mexicano é uma vingança irónica.Muito deve ter custado, o papel, a esse velho racista.
Nas imagens, a maldade sente-se em todos os momentos, mas raramente se vê.
3- "F de falsário" (1976) - Um filme quase documentário em que a verdade e a mentira se escondem e confundem. Descobrimos que, se calhar, andamos a admirar os bezerros dourados, desde de que devidamente certificados pelos especialistas. A história final do Picasso é deliciosa. Finalmente, as reacções (reais) na rua à passagem da actriz croata Oja Kodar são reveladoras da fome da época.
Deixo escrita o resto da preferência para voltar a escrever as muito subjectivas razões da escolha:
4- "M" (1931) de Fritz Lang
5- "As Vinhas da Ira" (1940) ou o "Vale era Verde" (1941) de Jonh Ford
6- "A Corda" (1948) do Hitchcock
7- "A Ascensão" (1976) da Larissa Shaptiko
8- "A Dupla Vida de Verónica" (1986) - de Kiezlowski
9- "Blue Velvet" (1986) de David Lynch
10- "Apocalypse Now" (1979) de Francis Ford Coppola
11- "Andrei Rublev" (1966) de Tarkowski
12- "Crash" (1996) de Cronemberg
13- " Fight Club" (1999) de David Finch
Quando alguém fala que o Presidente "é de todos os portugueses", normalmente bocejo. O primeiro-ministro também governa para todos os portugueses e ninguém pensa que as políticas que faz têm o acordo de todos os cidadãos. Quando se elege alguém, faz-se uma escolha. Se todos os candidatos presidênciais agissem como se fossem de "todos os portugueses", fariam supostamente tudo da mesma maneira e não valeria a pena irmos a votos, perdendo tempo a comparar programas e a fazer opções. Em vez de eleger um Presidente da República, devia-se abrir um concurso público para um notário superior, com vocação para corta-fitas e assinar de cruz.
O actual presidente Jorge Sampaio reduziu, até à semana passada, o seu importante cargo a passeios, discursos não escutados e a uma concepção da presidência que torna inútil o voto de quem o elegeu. Pagam-lhe para fazer política e ele só a fez, quando optou pelos argumentos das direitas. Escusa é de dizer que "é de todos os portugueses". Quando teve de optar, mudou de maioria, passou para os que não o elegeram e colocou-se como co-responsável da política de governo da direita. Cada vez que uma fábrica fechar, que se continuar a delapidar o património público e que os assalariados continuarem a ser os únicos a pagar impostos - estas políticas e opções terão um pai (o Dr. Santana Lopes) e uma extremosa mãe (o Dr. Jorge Sampaio). Adeus e felicidades Dr. Sampaio!
Parece que descobriram que Santana Lopes construiu a imagem de um Don Juan. E se for assim que nascem os mitos, a partir do vazio?