julho 31, 2003

Um bocado de um livro que ando a reler

Incidence of orgasms in fantasies of sexual intercourse with Ronald Reagan.
Patients were provided with assembly kit photographs of sexual partners during intercourse. In each case Reagan’s face was superimposed upon the original partner. Vaginal intercourse with "Reagan" proved uniformly disappointing, producing orgasm in 2 percent of subjects. Axillary, buccal, navel, aural and orbital modes produced proximal erections. The preferred mode of entry overwhelmingly proved to be the rectal… In an extreme 12 percent of cases, the simulated anus of post-colostomy surgery generated spontaneous orgasm in 98 percent of penetrations. Multiple-track cine-films were constructed of "Reagan" in intercourse during (a) campaign speeches, (b) rear-end auto collisions with one- and three-year-old model changes, (c) rear exhaust assemblies and (d) Vietnamese child-atrocity victims.

Este é um excerto de um conto intitulado "Why I Want to Fuck Ronald Reagan", parte do romance (?) "The Atrocity Ehibition". de J.G. Ballard. Tal texto, escrito em 1972 –muito antes de Reagan se tornar presidente- levou a que a primeira edição do livro fosse destruída por ordem do editor, Nelson Doubleday.
Anos depois, em 1980, uma cópia do conto completo, excluindo o seu título, foi distribuída aos participantes da Convenção Presidencial Republicana, em papel oficial do partido. Consta que a coisa foi tomada por um sério e profundo estudo sobre o potencial de sedução do candidato...

"Poderemos assim concluir que a personalidade do Governador da Califórnia irá dominar a paisagem política americana por muitos anos" (cito de memória). É com este aviso que termina o conto.
Nem Nostradamus teria feito melhor.


Publicado por Luis Moura em 02:58 PM | Comentários (0)

Totalitarismos na cama

"As únicas pessoas que têm vida privada na Alemanha são aquelas que estão a dormir".
Esta frase totalitária é atribuída a um alto dignitário do Reich de Hitler. Não era uma crítica, sublinhava com pompa e circunstância o triunfo da vontade de controlar. Infelizmente, parece cada vez mais aplicar-se ao presente. Vivemos, com gosto, uma espécie de "ditamole" catódica. Penso até que, nos dias de hoje, as fronteiras desta citação estão limitadas: o espaço público já chegou à cama (não estou a falar do canal 18). E a cama de alguns, e de algumas, tornou-se um dos territórios mais vendáveis da "notícia".
Talvez porque ninguém queira olhar de frente para os dias, ficamos nos lençóis dos outros. À espera que haja crédito para o centro comercial.
- A propósito, é verdade que a Fernanda Serrano anda com ...

Publicado por NRA em 02:06 PM | Comentários (3)

julho 30, 2003

Um bocado de um romance que ando a ler

No chão brilha a humidade rejeitada pelas raízes adormecidas da tília. As caves estão frias, como convém à conservação das batatas. Junto a uma chávena partida, um rótulo já sem cor anuncia a ninguém milagres esquecidos. Mesmo ao lado, térmites digerem laboriosamente a estrutura onde repousa o peso de corredores, salas e quartos. Dos seus sonhos cegos apenas sobrevivem regulares montículos de poeira amarelada, detritos da fricção do tempo.
O calor do dia foge pelas pedras imensas escondidas na alma das paredes. Elas são a força bruta, o esqueleto que não quebra sob o estuque há muito rachado por tremores de terra suaves demais para serem sentidos. Onde traves e tubos penetram as paredes, soam lentos compassos para cantar a saudade do Sol: um ranger de preguiça agora, um contraponto de estalidos inquietos depois.
No sótão, arcas e arcas de memórias descartadas corrompem-se sem pressa, indiferentes à hora; é-lhes interdita a redenção do sono dos homens. Dúzias de chapas fotográficas esquecem cerimónias, poses solenes, crianças felizes nos seus bibes. Um maço de cartas por abrir. Uma medalha roubada a um morto noutra guerra, noutra fronteira. Uma colher de prata ainda à espera de ser encontrada por criadas com olheiras. As aranhas negligenciam as suas teias e sonham com a dança da reprodução.

A Casa dorme.


Publicado por Luis Moura em 04:06 PM | Comentários (2)

Um link




Nenhum de nós fica indiferente às imagens de mais um atentado suicida contra a população israelita. Crianças desmembradas, sacos cheios de coisas que ainda há pouco eram gente, misérias transmitidas em prime-time que nada pode desculpar.
Mas também não podemos ficar indiferentes ao discurso de Sharon e seus acólitos, quando nos apontam aquela violência como motivo para perpetuar as atrocidades, num bíblico "olho por olho" que até nos poderia parecer justificado.

O link que aqui deixo ficar remete para a B’Tselem. O Centro Israelita de Informação para os Direitos Humanos nos Territórios Ocupados.
Não é uma rede islâmica de apaniguados do Bin Laden. É uma organização fundada e mantida por jornalistas, professores, advogados e parlamentares. Israelitas.
Leiam. Tudo, ou o mais que conseguirem.

Por mim, nem quero discutir a justeza da ocupação ou o cortejo de barbáries e atropelos às famosas Resoluções da ONU que ali acontecem todos os dias.
Por agora, basta referir as estatísticas. E ver como mesmo a frieza dos números nos pode esclarecer quanto ao desequilíbrio do terror que define a luta entre Israel e Palestina.

Palestinianos mortos nos Territórios Ocupados – incluindo Jerusalém Oriental- desde o início da Primeira Intifada até ao fim de Maio de 2003: 3.544

Israelitas mortos nos Territórios Ocupados – incluindo Jerusalém Oriental- desde o início da Primeira Intifada até ao fim de Maio de 2003: 532

Mortos em Israel - desde o início da Primeira Intifada até ao fim de Maio de 2003:
Palestinianos: 106
Israelitas: 610


Publicado por Luis Moura em 04:02 PM | Comentários (0)

"Masturbação mental!
Tá me fazendo mal, tá me fazendo mal!
Masturbação mental!
Se isso for normal eu quero ser anormal!
Masturbação mental!
Tá me fazendo mal, tá me fazendo mal!
Masturbação mental!
Se isso é diferente eu prefiro ser igual!"

refrão de uma letra de GABRIEL O PENSADOR

É verdade, os blogues são descendentes directos de Adão e Eva, via Onan. Aquelo belo rapaz que Deus matou, porque antes de fazer uns filhos à cunhada viúva (como o Senhor lhe tinha mandado), resolveu baldar-se à tarefa, derramando a sua "semente" no chão, com o firme propósito de ter sexo, mas não lixar a linhagem com mais filhos.
Apesar da divina liquidação, o onanismo - como hoje surge entendida a palavra- é comum a todas e a todos. Como diria Gustave Le Bon, numa tirada sobre a inteligência das mulheres: não quer dizer que haja excepções, também há uns tantos gorilas com duas cabeças.
A santa Igreja Católica sempre nos ensinou que o que é bom é chato, e provavelmente sabe mal. E que o contrário disso - o nosso prazer é pecado. Tanto mais que anda muitas vezes ao alcance da mão.
Os blogues são uma espécie similar: são muitas vezes solitários e estão ao alcance do teclado. Mas com os diabos! se dão prazer a quem escreve, e eventualmente a quem lê, só podem ser um agradável pecado. Como tal, pequemos!

Publicado por NRA em 01:58 PM | Comentários (1)

Uma Pintura

Ontem, dediquei parte da minha noite a partilhar uma paixão, um amor desordenado que já tem mais de vinte anos: a pintura de Giorgio de Chirico.
Saquei do excelente e monumental De Chirico: The Metaphysical Period, 1888-1919, de Paolo Baldacci, e revisitei imagens que nunca realmente chegam a sair de dentro de mim.
Nem sei bem por onde comece a gabar a obra de Chirico. Ele continua a ser, para mim, o espírito mais radicalmente original de toda a Arte moderna. Sim; sei que foi influenciado por Arnold Böcklin e talvez por Fuseli. Sei que a geometria do cubismo também contagiou as praças povoadas de presságios e de monumentos solitários do italiano. Mas mesmo que a Arte fosse um mero concurso de invenções, Chirico seria por certo medalha de ouro.



Este quadro, A Incerteza do Poeta, é de 1913. Pertenceu a Paul Eluard e a Roland Penrose. Agora, com a minha modesta ajuda, está na Tate Gallery.
Descobri-o em 1985, estava eu em Londres, após a saída da faculdade, entretido naquilo a que os americanos alegremente chamam bumming around in Europe: lavava pratos num restaurante e gastava todas as libras que me caíam nos bolsos em visitas a museus, livrarias e discotecas.
Devo ter entrado na Tate com ar do que era mesmo: um patego embasbacado por tanta maravilha. Do meu primeiro Robert Longo à sala de Mark Rothko, logo perdi conta às revelações.
Mas foi ao deparar com A Incerteza do Poeta que me caiu um raio em cima.

A melancolia imensa que nos assalta, a sensação de que algo ali está prestes a acontecer, muito para lá dos simples pigmentos sobre tela, justifica de imediato a classificação que é sempre aposta a esta fase de Chirico: Pintura Metafísica.
Podemos tentar enumerar "ingredientes" que alicerçam a estranheza de tal imagem: a perspectiva distorcida, o tratamento descontínuo das variações de cor no céu, a incongruência do vento que empurra o fumo do comboio e a vela do barco em direcções opostas, etc. Mas há um mistério quase sagrado numa obra assim; algo que vive longe do alcance das palavras.

André Breton sentenciou que "a beleza será convulsiva ou não será." Muito provavelmente tendo em vista a pintura de Chirico. Aliás, este pintor emprestou genes a toda a vertente "ilusionista" do movimento Surrealista, de Magritte a Dali, passando por muito Max Ernst. Yves Tanguy era marinheiro até ao dia em que deparou com o Canto de Amor numa montra. Saltou do eléctrico em andamento e caiu. Quando se levantou, já decidira vir a ser pintor.

Eu tomei decisão mais modesta: prescindi do almoço do dia e deixei duas notas de cinco libras no caixote de acrílico com que a Tate cravava aos visitantes contributos para adquirir a obra. Desde aí, a A Incerteza do Poeta ficou a ser ainda um pouco mais minha.

Publicado por Luis Moura em 01:45 PM | Comentários (0)

julho 29, 2003

Rendimento Máximo Garantido

Pacheco Pereira acusa, pela enésima vez, o Rendimento Mínimo Garantido de ser a origem de todos os males: Isto de dar dinheiro aos pobrezinhos é um desperdício, só promove a preguiça. E como sabemos a preguiça é a mãe de todos os vícios. Mais vale tirar-lhes o dinheiro para os obrigar a vadiar menos e a trabalhar.
O ponto de vista liberal sobre os pobres é sobejamente conhecido, o que era interessante, para variar, é saber o que pensam estes arautos da justiça social sobre a sentença com que foi brindado o filho do Sousa Sintra. O jovem e prometedor empresário (qualquer dia é ministro) ganhou uma data de dinheiro com uma burla (faz uso ilegal de informação confidencial da bolsa de valores) e foi condenado a uma multa largamente inferior ao dinheiro que lucrou . Isto é que é o Rendimento Máximo Garantido para os amigos.
Em Portugal, a "ajuda" aos grandes empresários sempre foi muito criativa. É conhecido o caso de um grande grupo que comprou um banco com o dinheiro do próprio banco e pagou os juros do empréstimo com os lucros do mesmo. Mas isso era a "Economia", neste caso estamos perante de uma espécie de prémio de roubo: "Rouba,rouba que ainda levas um bónus".
Para registo, aqui fica um excerto de um artigo do José Vitor Malheiros que desenvolve a questão:

O Crime Compensa
Por JOSÉ VÍTOR MALHEIROS
Público, terça-feira, 29 de Julho de 2003

Teve lugar na semana passada um facto destinado a ficar registado nos anais da justiça: a primeira condenação de um caso de "insider trading" em Portugal. O Tribunal Criminal de Lisboa condenou Miguel Sousa Cintra a uma multa de 534.300 euros e a uma pena de 18 meses de prisão, suspensa por três anos, devido a transacções ilegais envolvendo acções da empresa Vidago, Melgaço e Pedras Salgadas.

A pena foi considerada "histórica", "moralizadora" e "educativa" pelas várias individualidades do mundo da justiça e dos negócios a que o PÚBLICO pediu comentários, assim como uma vitória e uma prova da competência da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, do Ministério Público e da justiça portuguesa.

Ninguém poderia deixar de embandeirar em arco com esta vitória da justiça não fosse dar-se o caso de o senhor em questão ter ganho, à conta das transacções ilegais referidas, a confortável quantia de 3,9 milhões de euros. Ou seja: feitas as contas, depois de pagar a sua dívida à sociedade, o condenado ficará com um confortável saldo positivo de 3.365.700 euros.

Publicado por NRA em 11:28 PM | Comentários (1)

julho 28, 2003

Um livro de passeio

Passear um livro é uma arte. São de evitar todas as publicações e lombadas citadas pelo Professor Marcelo. As razões são estéticas (não há nenhum livro sobre medalhinhas dos pastorinhos que valha um caracol), mas são sobretudo de coluna: os livros passeados no estúdio pesam na razão inversa da sua inteligência.
Andar com um livro na rua tem mais utilidades do que se possa pensar. A primeira, é que evita que andemos com as mãos a dar e dar, sem destino nem utilidade (nada que um par de algemas não resolvesse), com o acréscimo importante de que há poucas pessoas que valham um bom livro. O que significa que quando saímos podemos evitar conversas desnecessárias.
Finalmente, a parte melhor: um livro serve para ler.
Aqui vos deixo algumas reflexões tiradas de uma obra de Cioran(Le Mauvais Démiurge):
"Seuls comptent ces instants où le désir de rester avec soi est si puissant, qu'on aimerait mieux se faire sauter le cervelle que d'échanger une parole avec quelqu'un". Um pensamento positivo, mas vamos terminar com uma frase imbatível: " Qui êtes-vous - Je suis un étranger pour la police, pour Dieu, pour moi-même".

Publicado por NRA em 10:03 PM | Comentários (4)

Si non é vero...

Abeiraram-se de mim ainda há poucas horas para me perguntarem se já sabia "da última". Que não, respondi, ignorante como sempre.
A "última" dizia respeito ao novo estádio de Alvalade; supostamente, algumas centenas de lugares irão ficar tapados por um placard electrónico.
Vai daí, para não serem penalizados na contagem de lugares e respectivas comparticipações financeiras, os geniais lagartos teriam oferecido os lugares defeituosos à... Liga de Cegos!

Confio que isto seja apenas uma anedota de gosto duvidoso. Para invenções grotescas relacionadas com a cegueira, já me chegam os "verdalejos" com que decidiram cobrir o estádio.

Publicado por Luis Moura em 05:19 PM | Comentários (1)

Panfletos vivos

Sempre tive a ideia que o pretendente a um suposto trono de Portugal, "D." Duarte Nuno, é o melhor argumento possível contra a instauração da Monarquia neste país. Basta-me imaginar aquela entidade cavernícola de bigode retorcido a representar-nos onde quer que seja para dar comigo a pensar que o Sampaio até nem é mau de todo...

O pior é quando vejo o Alberto João a vociferar anátemas etilizados contra o "Continente dominado pelos comunistas" e alucinações semelhantes. Aí, recordo-me da infinidade de eleições que o ogre já ganhou e concluo que ele pode ser entendido como um excelente panfleto contra a Democracia.

Publicado por Luis Moura em 04:47 PM | Comentários (0)

O duque de Espada

Uma pessoa lê aquilo e estranha; a coisa não se entranha mas incomoda, assim tipo comichão de pulga persistente. Umas semanas depois, há mais; não foi portanto um hacker a tentar ridicularizar com disparates apócrifos as páginas do venerando Expresso. Não; o João Carlos Espada é mesmo capaz de existir. A atestá-lo fica a foto patusca de um homenzinho a obrar, de Montblanc na mão, um ar quase inteligente para a câmara.

É fácil resumir o conteúdo das prosas da criatura. Na realidade, é sempre o mesmo artigo, distinguindo-se cada um apenas pelo número de vezes que cita o nome de Karl Popper. Por isso, vou circunscrever-me à "coisa" desta semana, sendo certo que contém em si todos os bizarros genes que poderão ajudar-nos a decifrar as demais.
Sob o anódino título "Livros para férias" Espada dedica-se a receitar-nos a panaceia universal para todas as maleitas deste nosso bárbaro tempo: a gentlemanship. Não se trata de entidade redutível à comezinha ambição de um dicionário que nos poderia traduzir tal substantivo por "cavalheirismo". É gentlemanship e pronto.

Este ingrediente miraculoso que tanta falta faz à nossa sociedade é uma relíquia nostálgica dos tempos do Império; mas não do nosso arremedo imperial, que isso até podia passar por provinciano (oh my dear!) e desvalorizar a nossos olhos uma figura tão íntima de Sir Karl (Popper para os não-íntimos). A tal gentlemanship é, na sua verdadeira e saudosa essência, Inglesa, Vitoriana e Cristã.
Ao que parece, a gentlemanship tem um dos seus melhores símbolos em Rudyard Kipling, mais uma pobre vítima da sinistra "contracultura", aliada do "relativismo", amigada com a "esquerda anti-americana" e até talvez mancomunada com os extraterrestres de Roswell.
Kipling terá méritos poéticos inegáveis mas sempre celebrou o "Glorioso meio século Imperial" na Índia, durante o qual a esperança de vida média no subcontinente indiano desceu 20%. A redentora gentlemanship deixou outros legados civilizacionais por aquelas paragens: entre 1757 e 1947, o rendimento médio indiano não subiu de todo e a independência encontrou seis sétimos da população iletrada. Isto para não mencionar feitos como a Fome de Gujarat, massacres vários, caminhos de ferro, portos e canais que deslumbraram Marx mas que eram construídos com dinheiro de impostos locais e destinados ao transporte de recursos rapinados, etc. etc .
Em África, a gentlemanship teve pontos altos como a repressão da revolta Mau-Mau, onde os garbosos soldados britânicos recebiam 5 libras por cada rebelde morto...

Um vate que antecedeu estes lindos valores foi, segundo Espada, Cícero; o paradigma das virtudes humanistas e liberais que ordenou a execução ilegal e sem julgamento de cinco dos conspiradores de Catalina e aplaudiu o assassinato de Júlio César.

É contra este aglomerado titânico de virtudes angélicas que se ergue o fanatismo islâmico e a pouco higiénica tribo dos órfãos de Woodstock em todo o mundo (a "contracultura dos anos 60"). Como já o haviam feito os "desesperados ateus de Lenine e os desesperados pagãos de Hitler e Mussolini". ( Mas fazem-no debalde, que a gentlemanship conta entre os seus defensores com alguém tão poderoso como Harry Potter, se bem me lembro de uma crónica anterior...)

A ideia que o Nazismo foi um movimento pagão já foi inúmeras vezes desmontada. E tenho até a ousadia de recomendar a Espada a leitura de algumas palavras onde se vislumbra sem dificuldade uma possível origem da sua luta contra os "relativismos" que andam a dar cabo da nossa juventude:
"Retirem à Humanidade de hoje os seus princípios religiosos e dogmáticos – ou, na prática, os seus princípios ético-morais – abolindo a educação religiosa sem a trocar por um equivalente, e o resultado será um grande choque nas fundações da sua existência."
"A nossa vida pública presente é como uma estufa para ideias e simulações sexuais. Basta olhar para o que nos servem nos cinemas, no vaudeville e nos teatros, para não podermos negar que este é o alimento errado, sobretudo para os jovens..."
"Também digno de nota é a luta cada vez mais violenta contra as fundações dogmáticas das várias igrejas, sem as quais a existência prática de uma fé religiosa não é possível."
Quem foi o paladino da Civilização Ocidental que escreveu tão prescientes avisos?
Adolf Hitler. Talvez agora o Professor Espada deixe de destratar um vulto com quem tem tão evidentes analogias de bossas...

Além de recomendar leituras sobre Kipling e Cícero, Espada recomenda com desvelo um livro do director do Público; o JMF que, pelo que se lê na pag 23 do mesmo número do Expresso, já teve ocasião de exercer a sua gentlemanship deixando empurrar para trabalhos degradantes uma funcionária do Público que cometeu o imenso pecado de ocupar a posição desejada pela sua mulher.
Depois, a prosa segue para recomendar com reverência alguns livros de santas figuras eclesiásticas e fecha com uma deslumbrada apologia dos "Jantares de smoking ou fato escuro", em oposição aos jantares em "T-shirt, chanatos e umbigo ao léu", mais uma sinistra invenção da contracultura dos anos 60.
É mesmo verdade. O homem escreveu isto.

Não resisto à tentação maldosa de encerrar este assunto com uma citação, de Sir Karl himself, que parece feita à medida do Duque de Espada: "o nosso conhecimento só pode ser finito, enquanto que a nossa ignorância deve necessariamente ser infinita."

Publicado por Luis Moura em 01:36 PM | Comentários (0)

julho 27, 2003

Em casa de ferreiro

Sou jornalista. Ninguém é perfeito! Mas o facto de ter estado bastantes anos em redacções aumenta, em muito, o meu cepticismo em relação ao que me chega dos orgãos de comunicação social. O mal deve ser de família, porque o meu irmão que, também, é jornalista e afixou na redacção, em que trabalha, o seguinte cartaz (para desespero de alguns fundamentalistas maoistas): "Errar é humano, persistir no erro é jornalismo".
Para abordar o contexto do jornalismo eterno, gostava de vos confessar uma pequena leitura.
O poeta basco Joseba Sarrionaindia mantinha um diário na prisão, a que deu o nome de: "Não sou daqui" - profética afirmação que lhe permitiu escapar-se da cadeia (mas essa é outra história) -, tem nesse livro um ilustrativo artigo acerca do jornalismo que passarei a citar e traduzir:

"Napoleão Bonaparte esteve recluso na ilha de Elba desde que abdicou em Fontainebleau em abril de 1814 até que na primavera de 1815 juntou-se ao seu exército e decidiu voltar a Paris.
Os títulos do diário parisiense "Moniteur Universel" durante todo aquele mês de março são assombrosos, pois oferecem um testemunho sem igual do avenço do ex-imperador.
9 DE MARÇO: "O monstro escapou ao seu desterro". 10 DE MARÇO: "O ogre corso desembarcou no cabo Jean". 11 DE MARÇO: "O tigre sangrento apareceu na zona de Gap. Para ai dirigem-se os exércitos para terminar com o seu avanço". 12 DE MARÇO:"O monstro chegou à cidade de Grenoble". 13 DE MARÇO: "O tirano está agora entre a cidade de Grenoble e Lyon". 18 DE MARÇO: "O usurpador ousou chegar até a um lugar a sessenta horas de marcha da capital". 19 DE MARÇO: "Bonaparte aproxima-se em passo veloz, mas é impossível que entre em Paris". 20 DE MARÇO: "Napoleão chegará amanhã às muralhas de Paris". 21 DE MARÇO: "O Imperador Napoleão está em Fontainebleau". 22 DE MARÇO: "Ontem pela tarde sua Majestade o Imperador fez a sua entrada pública no seu palácio. Nada pode superar este regozijo universal". O diário de Sarrionaindia não revela se o director do afortunado diário foi fuzilado ou condecorado. Merecia qualquer coisa...

Publicado por NRA em 11:54 PM | Comentários (0)

julho 26, 2003

Uma gaivota para o senhor

O ministro de Negócios Estranhos (MNE), Martins da Cruz, defendeu "um regresso às caravelas". Para o MNE a "resposta à globalização são os oceanos". Provavelmente para ele: a resposta ao desemprego é a culinária, a resposta à crise económica é o hipismo, a resposta à SIDA é a aviação, e assim sucessivamente.
Clarinho, como o mar cristalino, ficou a reafirmação de uma relação "canina" com os Estados Unidos da América. Aproveitando a modorra da estação dos banhos, o MNE podia ir globalizando para lá...de gaivota. Ganhava todo o mundo.

Publicado por NRA em 06:27 PM | Comentários (0)

O Estado do Sítio!

Na ausência do Zé Negris (volta da praia e alcança a esplanada do Muro), fica aqui a nossa sincera homenagem. Tinha que ser, claro, um texto do Negri (original).

Il frutto maturo della redenzione

L'ultimo libro del filosofo Giorgio Agamben è dedicato allo «Stato
d'eccezione», cioè a quella condizione che oramai investe ogni
struttura di potere e che svuota in maniera radicale ogni esperienza
e definizione di democrazia

TONI NEGRI

Pur essendo un abituale lettore di Giorgio Agamben, mi è capitato di
recensire solo un altro suo libro, Il linguaggio e la morte del 1982.
Era una vera e propria introduzione alla filosofia e proponeva un
metodo di analisi divenuto, negli anni successivi, a lui
caratteristico: costruire criticamente sul terreno dell'essere,
scavando sul margine esistenziale e linguistico, la via della
redenzione. Una redenzione del tutto immanente che mai dimentica la
condizione mortale. Lavorare in filosofia avrebbe dunque significato
traversare l'essere con impegno etico, eliminando ogni residuo
dialettico (allora tanto diffuso fra gli epigoni dell'idealismo ed il
tramontante socialismo) e produrre di conseguenza conoscenza vera,
politicamente orientata, eticamente qualificata, nel senso di una
possibile umana redenzione. A prima vista sembrava che Agamben si
muovesse come Derrida e Nancy, sfogliando un punto dell'essere
desideroso dell'altro, sempre illusorio tuttavia. Non era così.
Agamben quanto più approfondiva la sua analisi fenomenologica
dell'essere, tanto più lavorava il possibile, un nuovo orizzonte,
insomma, come talora Blanchot, traversava il mondo linguistico in
termini di ontologia critica. E' in questo modo che Agamben si
avvicina (ed avvicina la descrizione della realtà che descrive) al
General Intellect, cioè ad un'idea positiva dell'essere linguistico
del comune, traversato da lotte, processi di sfruttamento e sussulti
di liberazione.

Ma come si fa a strutturare il mondo che questo approccio ontologico
costituisce? Come fa qualcuno che, come Agamben, ha sempre tenuto la
morte presente nella descrizione fenomenologica a costruire
positivamente l'idea della redenzione? Attorno a questo progetto, il
cammino teorico di Agamben ha presentato strappi sempre più evidenti.
E' forse né La comunità che viene del 1990, che lo strappo è più
forte, quando l'esperienza della redenzione si presenta come
disutopia. Essa esigeva che l'orlo della morte fosse attraversato
dalla tensione della vita, e che nel metodo fosse interiorizzata la
massima spinozista: «L'uomo saggio non pensa la morte bensì alla
vita». L'idea del biopolitico cominciava dunque qui a presentarsi
come potenza centrale, inquieta certo, forse alternativa, comunque
strutturalmente innovativa nel pensiero di Agamben. Di nuovo poi in
Homo sacer questa problematica si è presentata in tutta la sua
complessità e contraddittorietà.

Ci sono infatti due Agamben. C'è quello che si intrattiene su uno
sfondo esistenziale, destinale e terrifico, e qui è costretto ad un
confronto continuo con l'idea della morte; ce n'è un altro che
attraverso l'immersione nel lavoro filologico e nell'analisi
linguistica, conquista (mette pezzi, manovra, costruisce) l'orizzonte
biopolitico: qui, in questa situazione, Agamben sembra talvolta un
Warburg dell'ontologia critica. Paradossale tuttavia è il fatto che i
due Agamben convivono sempre e, quando meno te lo aspetti, il primo
riemerge ed oscura il secondo, e l'ombra della morte si distende
lugubre contro la voglia di vivere, contro l'eccedenza del desiderio.
O il contrario.

In Stato di eccezione ( Bollati Boringhieri, pp.120, • 12) noi
abbiamo la possibilità di leggere insieme questi due Agamben.
Innanzitutto, infatti, Agamben riconosce e denuncia il fatto che lo
stato di eccezione (uno stato di morte) coinvolge ormai ogni
struttura di potere e svuota in maniera radicale ogni esperienza e
definizione di democrazia. E' la condizione imperiale. Ecco aprirsi
una prima linea di lettura: questa definizione di stato di eccezione
si instaura infatti sull'orizzonte di un'ontologia indifferenziata,
cinica o pessimistica, dove ogni elemento è riassunto nel vuoto gioco
di una negatività eguale. Lo stato di eccezione appare qui come
sfondo indifferente che neutralizza e scolora tutti gli orizzonti e
li riconduce ad un'ontologia incapace di produrre senso se non in
termini distruttivi. Quest'essere è del tutto improduttivo.
Quest'essere si confonde con il diritto (o nella sua assenza) laddove
solo il diritto sarebbe chiamato a dare senso al reale. Si assiste
così ad una sopravvalutazione del diritto e ad una sottovalutazione
dell'ontologia: la realtà non produce senso.

A questo punto, è evidente che non c'è differenza tra stato di
eccezione e potenza costituente, perché entrambi vivono sullo stesso
livello di indistinzione. La definizione del biopolitico, in questo
Agamben, si pone come indifferente all'antagonismo: inutile replicare
che il diritto di eccezione annulla l'essere, mentre invece la
resistenza ed il potere costituente lo creano! No, qui tutto quello
che avviene nel bios è piegato all'indistinzione della natura, allo
zoe... In effetti, non è qui difficile vedere in azione quella deriva
che obbliga ogni concezione unilaterale del bios ad una riduzione
naturalista. L'effetto di questo primo squarcio di analisi è
paradossale: tutto quello che avviene nel mondo, oggi, è come se si
fosse fissato in un orizzonte totalitario e statico, come «sotto il
nazismo». Ma le cose non stanno così: se noi viviamo in uno stato di
eccezione è perché viviamo una «guerra civile», feroce e permanente,
dove il positivo ed il negativo di scontrano: la loro potenza
antagonista non si può in nessun caso appiattire nell'indifferenza.

Agamben tuttavia non si ferma qui. Stato di eccezione ci presenta una
seconda prospettiva, più originale, più potente: è una linea
spinozista e deleuziana. Qui, su questo secondo terreno, l'analisi
non sorvola un biopolitico inerte ma lo attraversa con febbrile ansia
utopica, ne coglie l'antagonismo interno. L'arma filologica che
Agamben utilizza con tanta destrezza, diviene a questo punto, davanti
alla complessità che ne è investita, quasi incerta, in ogni caso
tatonnante; le scoperte vengon fuori come sorprese, ma sono vere
scoperte, innovazioni concettuali e linguistiche. Il postmoderno si
mostra qui ontologicamente duro e creativo. Ed ecco che su questo
snodo, all'archeologia ed alla filologia, dà continuità la genealogia
del biopolitico. Il dispositivo utopico infatti non si contrappone
sincronicamente all'orizzonte ontologico ma irrompe, penetra, sfonda
diacronicamente istituzioni e sviluppo giuridico. Qui la dialettica è
davvero superata perché il biopolitico è decostruito ed attraversato
internamente.

Il biopolitico, in Agamben, non è più, a questo punto, riguardato
dall'esterno, quasi fosse una realtà indipendente da studiare, da
riconoscere - un frutto da cogliere. L'hegelismo è qui
definitivamente oltrepassato da una critica che riconosce
l'impossibilità dell'omologia dialettica degli opposti. Tanto più lo
sarà ogni nostalgia della sinistra hegeliana. Lo stesso Benjamin che
pure ha vissuto e posto questa serie di inghippi problematici e di
dolorose reminiscenze dialettiche, è qui scavalcato. Agamben, con
formidabile gesto, va al di là, concettualmente ed eticamente, dello
stato di eccezione attraversandolo: così come il cristianesimo
primitivo o il comunismo delle origini hanno attraversato il potere o
lo sfruttamento, distruggendoli perché li hanno svuotati. In questo
secondo scenario l'analisi di Agamben mostra come l'immanenza possa
essere realista e rivoluzionaria.

Questo è un libro fastidioso nel suo sviluppo e nei suoi dualismi, ma
straordinario nella sua realizzazione. Chiarisce un punto attorno al
quale la filosofia post-strutturalista e postmoderna aveva fin qui
girato a vuoto facendo - di contro - dell'orizzonte biopolitico
un'esperienza verificabile e percorribile. Un'esperienza copernicana.

Publicado por NRA em 02:30 PM | Comentários (3)

julho 25, 2003

Venha o diabo...

As afinidades amorosas são obras do acaso ou da roleta russa? O dia a dia parece dar razão aos adeptos da primeira tese, embora eu esteja convencido que no final estaremos em plena e feliz roleta, com uma Uzi. Estou particularmente optimista.

Publicado por NRA em 09:04 PM | Comentários (3)

Melancolia

Andar aspirar
Vida anseia
Estremecer estar
Olhares procuram
Morrer cresce
O chegar
Grita!
Profundamente
Emudecemos
Nós.

AUGUST STRAMM (1914)

Publicado por NRA em 07:13 PM | Comentários (0)

Os blogs pelos caminhos de Portugal

Em 2001, depois de o Google me ter indicado uma pista de aterragem transviada algures no Brasil, dei de supetão com o fenómeno dos blogs.
O blog onde fui cair era apenas e tão somente o diário de uma mocinha estouvada, em que ela expunha amizades, aventuras, gostos e desgostos, etc. Dali fui saltitando de link em link para outros blogs similares. Tudo aquilo tinha o fascínio dos pequenos prodígios: gente anónima partilhava com o mundo as suas vidas; por vezes com verve, por vezes sem graça nem estilo, em grande parte dos casos dispensando até a ajuda de uma ortografia decente... Assim uma espécie de "power to the people" em versão digital.

Então depois de admirar o registo franco e desinibido com que as nossas irmãs de além-mar expunham as suas vidas eróticas, o peeping tom que vive algures nas minhas meninges ficou feliz. Mas isso é outra conversa.
Em suma, aqueles blogs apareceram-me como uma manifestação do espírito brasileiro tal como jaz no nosso armazém de estereótipos: extrovertido, alegre, "desencucado".

A minha reacção epidérmica foi um imediato: "Isto nunca poderá pegar em Portugal". Por cá, os nossos "blogs" cantam-se aos turistas com acompanhamento de guitarras plangentes; em histórias tristes de fatalismos, amores perdidos, destinos manhosos e inevitáveis.

Enganei-me. Ou talvez não.
Os blogs acabaram por desembarcar na pátria do Fado. Mas não o fizeram de mansinho, num movimento ancorado em milhares de pequenas raízes anónimas. Não; aqui, tudo tem de ser em grande.
A primeira vaga de colonizadores da "Blogoesfera" (haverá denominação mais patusca?) chegou de Mayflower, não em naus periclitantes e ajoujadas de povo: Escritores, Colunistas, Editores, Políticos, gente em busca de mais uns wattzitos de luzes da ribalta. Mesmo um modelo que eu juraria ser imune a tentações intelectuais, como a "Suruba Digital", só para citar um exemplo, transplantou-se para Portugal sob a forma de pipi-com-ambições-de-Bocage.

Para os fazedores de opinião, o "who’s who" do mundo dos blogs é uma mera adenda ao que já tinham nas cabeças mirradas.

Para os candidatos a bloguistas, este meio é assim como um "DN Jovem" em autogestão; todo o farrapo de prosa, todo o arroubo poético é digno de ser posto na montra, sujeito aos olhares críticos dos "blogo-papas" que generosamente hão-de emitir as suas pontíficas bulas louvando a "fina prosa", as posições políticas "desassombradas", o humor "genial". Só não me atrevo a declamar um asinus asinum fricat! porque até leio com prazer as encíclicas de muita dessa malta.

Para mim... enfim, não sei bem. Vou pensar no assunto e voltarei quando tiver inventado uma desculpa convincente para aqui estar.


Publicado por Luis Moura em 12:52 PM | Comentários (4)

julho 24, 2003

O Passeio dos BLOGs

Esta "coisa" dos Blogs parece substituir o passeio social ao Chiado dos tempos de antanho. Encontram-se uns cavalheiros, distribuem-se umas palmadas nas costas, comentam-se as últimas e, se aparecer o Dâmaso Cândido de Salcede, dá-se umas bengaladas.
A grande vantagem do presente é que dá para comer pipocas e não temos que ver o fácies dos outros tipos. Podemos até julgar que eles são gente normal e inteligente.
Para sermos "alguém" neste reino social, a regra é simples: citar, citar, citar sempre. Quanto mais falarmos dos outros, mais eles notam que a gente existe.

Como em tudo na vida existem hierarquias. Convém à entrada elogiar profusamente o Pacheco Pereira e o Pedro Mexia à espera que eles murmurem qualquer coisa a nosso respeito. Basta um soluço.
Neste estranho universo há uma profusão exagerada de betinhos de direita que afirmam combater a arrogância intelectual da esquerda. Fazem tão bem esse combate que já conseguiram ultrapassar toda a esquerda, em matéria de arrogância. Basta ver Blogs como o Valete dos Fretes para comprová-lo.
A receita é simples citar determinada imprensa estrangeira como argumento de autoridade máxima. Esquecem-se que há citações para todos os gostos e que não é pelo facto de um texto do Hitler estar em inglês que estamos perante um grande democrata.
Nestas manobras conseguem-se as alquimias mais incríveis. No outro dia um esperto "conseguiu" demonstrar que a maior parte da população dos Estados Unidos da América participa nas eleições. No meio da aritmética criativa esqueceu-se de assinalar que grande parte da população não está sequer recenseada.

Publicado por NRA em 04:46 PM | Comentários (4)

Esta é de dia 24

Isto ainda está em versão beta...

Publicado por Luis Moura em 02:09 PM | Comentários (0)

julho 23, 2003

Uma historieta de livros

Este post foi aqui deixado apenas à laia de experiência, pois o José Mário Silva já tinha tido a caridade de o "publicar" no seu excelente Blog. Mas, uma vez que a Sandra até se deu ao trabalho de o comentar, por cá ficará...

Ontem mesmo, deixei-me arrastar para o lançamento de um livro de nome «MilitärMusik». Atraído pela promessa de encontrar uma «figura polémica e extravagante» na pessoa do autor russo Wladimir Kaminer, e sensibilizado pelo apelo dos editores que receavam uma sala às moscas, lá fui ao Instituto Goethe. A apresentação do livro explicou-me que se tratava de uma sátira aos anos finais da URSS, escrita originalmente em alemão, num tom assim à laia de «Woody Allen no País dos Sovietes».

Até aqui, tudo bem; o pior foi quando chegámos à parte das perguntas. A princípio, a tradutora ainda se esforçou por acompanhar a pedalada da figura extravagante, em companhia do inevitável número das gargalhadas a retardador, emitidas por quem só percebia as graças um minuto depois dos falantes de alemão ali presentes.
Quando a coisa começou a ficar viva, a tradução foi tragada por areias movediças. Consegui entender que uma das senhoras alemãs na sala se ofendera com uma resposta do autor e pouco mais. Não concordo com a ideia, nascida na minha mesa, de que aquilo seria «surreal», pois o Surrealismo ainda me soa a coisa com pés e cabeça. Mas lá que parecia uma cerimónia Dadá, parecia.
Agora divertido a sério foi ouvir a mesma pergunta angustiada ser repetida umas três vezes, em português e, pelo que me explicaram depois, no idioma da casa: como fora o acolhimento dispensado pelo público russo a tão irreverente prosa?
O bom do Wladimir torcia-se na cadeira e falava de «perspectivas diferentes», «traduções defeituosas», etc. Conseguiu durante largos minutos bailar à volta do óbvio sem nunca o nomear: como poderíamos querer que os russos se divertissem com um relato das suas tragédias – do glorioso Socialismo ao promissor mundo do Mercado Livre & Mafias Associadas – feito em tom burlesco? Que recepção seria por cá dada a um livro que retratasse os anos anteriores ao 25 de Abril como uma paródia infindável?

Uma coisa, lícita e frequente, é proporcionar divertimento à custa da infelicidade alheia. Outra bem diversa é esperar que as vítimas riam connosco.

PS: o diabo do livro até tem graça. Fica aqui o link do bravo Cavalo de Ferro para mais informações.

Publicado por Luis Moura em 05:35 PM | Comentários (2)

Porque hei-de perder tempo com Blogs, CSSs, HTML, etc., se tenho isto para ver?

Este post não tem objectivos lúdicos. É apenas uma experiência na afixação de imagens com HTML.





Publicado por Luis Moura em 02:46 PM | Comentários (2)