Ola a todos,
Mais uma vez sem acentos, e ainda desde o Sri Lanka. Sem noticias
melhores tambem, do que as relatadas no ultimo mail. Para os recebiam
os meus mails da Colombia, ou para os que comentei do meu trabalho ai,
o nome de San Jose de Apartado nao e desconhecido. E uma das
comunidades que acompanhei e enquanto internacional ajudei a proteger.
Nao e mais do que uma pequena comunidade no norte da Colombia, situada
num local demasido estrategico; uma comunidade de camponeses que vive
do cacao e da banana que produzem em quantidade e tentam vender quando
nao sao impedidos pelos actores armados. Sao pobres nos bens mas
determinados na sobrevivencia. Vivem ameacas constantes,
principalmente por parte dos paramilitares (braco armado ilegal do
exercito colombiano) mas respondem sempre com dignidade e sem recurso
a armas, apenas a palavra e ao apelo a solidariedade internacional.
Nao consigo expressar o quanto cada um dos lideres desta comunidade me
fazia sentir humilde e pequena, muito pequenina, nas minhas lutas,
ambicoes, frustracoes, expectativas… Porque sao assim, sao fonte de
inspiracao para muitas outras comunidades dentro e fora da Colombia,
comunidades que resistem sem armas mas tambem sem silencio.
Queria contra-vos que um desses lideres, Luis Eduardo, foi abordado
pelo exercito, quando regessava do campo, juntamente com outras sete
pessoas, entre as quais quarto menores. Os corpos foram encontrados no
dia sequinte, esquartizados e com sinais de tortura, deixados a
apodrecer numa vala comum. Em anexo incluo o comunicado das PBI
(organizacao com a qual trabalhei e a qual continuo ligada) com algo
mais de explicacao, em Espanhol e Ingles.
Diz-se que quem cala consente. Eu queria pedir-vos que me ajudassem a
nao calar. Feitos de uma coragem que eu desconheco, a comunidade vai
manter-se de pe, os lideres vao continuar a falar, ate que, afirmam, o
ultimo seja liquidado. Nao vai ser facil acabar com uma comunidade
assim, menos ainda se a cada golpe se juntarem vozes de indignacao do
mundo inteiro, olhares atentos que distinguem claramente justica da
injustica e que nao deixam passar em silencio um massacre deste tipo.
Abaixo, envio-vos uma carta e umas direccoes. Peco-vos que leiam a
carta, a assinem, e a enviem para as direccoes incluidas,
correspondentes a moradas de autoridades colombianas. Se souberem a
morada da embaixada colombiana no vosso pais ( a Portuguesa vou tentar
enviar-vos mais tarde) incluam tambem.
Quando estive na Colombia e houve uma invasao paramilitar da
comunidade de Cacarica, as cartas tambem chegaram, em catadupas.
Quando tive uma reuniao com o comandante da marinha, obviamente
implicado na organizacao da invasao, estava-lhe estampado no rosto
raiva que as cartas, espalhadas na mesa, lhe causavam. Desprezou-as
nos gestos, minimizou-as nas palavras, nao abria grande parte delas,
mas sabia a que continham, e a raiva de nao sentir que os seus
movimentos eram livres brilhavam-lhe nos olhos enquanto tentava
receber-nos da maneira mais cordial possivel. Tinha ordenado a invasao
de uma comunidade pequena e ate ha pouco esquecida nos confins do
pais, nao matara ninguem, ja precisamente porque sabia que havia
alguns olhos atentos, mas ainda assim, chegavam alertas dos quarto
cantos do mundo, e de cima chegavam-lhe ordens para evitar novas
tentativas.
Enfim, nao prolongo mais. Peco-vos que considerem enviar as cartas da
mesma forma que consideraram ha um ou dois meses atras enviar dinheiro
para o Sudeste Asiatico (desta feita nao havera ma utilizacao do
esforco) e que reenviem o mail para quem considerem possa querer
participar na iniciativa. Um ultimo pedido: agradecia que, caso o
facam, me informem de que o fizeram para termos nocao aproximada da
resposta que chegou desde Portugal. Este mail que vos escrevo e uma
iniciativa pessoal, mas esta articulada com uma resposta mais alargada
e institucional por parte das PBI. E ja agora, sendo que nao pretendo
julgar ninguem, mas tambem nao quero bater constantemente a portas
erradas e incomodar, peco-vos que sejam sinceros se nao quiserem
receber este tipo de emails meus no futuro. Suspeito que havera mais
em breve, e por isso quero avisar-vos.
Um abraco,
Rita
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TEXTO SUGERIDO PARA UTILIZAR, dirigido às autoridades colombianas
listadas no fim deste correio:
Data
(título do destinatario)
Estimado xxxx
Me dirijo a usted dando seguimiento a compromisos adquiridos por mi
país en la Declaración de Londres y ratificados en la Mesa de
Coordinación y Cooperación Internacional en Febrero 2005 para
acompañar al gobierno colombiano en la aplicación de las
recomendaciones de las Naciones Unidas en materia de Derechos Humanos.
Quiero manifestarle mi honda preocupación por la masacre ocurrida en
el corregimiento de San Jose de Apartadó (Urabá) entre el 21 y el 22
de febrero. Entre las víctimas se encontraban Luis Eduardo Guerra,
reconocido líder de la Comunidad de Paz de San José de Apartadó, al
menos cuatro menores de edad y dos mujeres. Considero muy valiosa la
iniciativa pacífica de esta comunidad y por lo tanto considero que es
de suma urgencia que se tomen acciones urgentes para prevenir un
desplazamiento masivo, esclarecer los hechos y asegurar que semejante
tragedia no vuelva a ocurrir en el futuro.
Para ello respetuosamente le solicito que tome en consideración las
siguientes acciones:
· Dar a conocer a la comunidad internacional qué plan de
actuaciones va a adelantar su gobierno para establecer las acciones
necesarias que, respetando los principios de la comunidad, prevengan
otro hecho semejante. Especifícamente cómo se va a concretar la
implementación de la Sentencia de la Corte Constitucional T 230 de
2004 que exige a la Brigada XVII la garantía y protección de los
derechos fundamentales de los habitantes de la Comunidad de Paz de San
José de Apartadó en conformidad con las Medidas Provisionales dictadas
por la Corte Interamericana de DDHH en el año 2000.
· Realizar una investigación exhaustiva e imparcial para
esclarecer los hechos ocurridos, sancionar a los responsables y que se
repare a los familiares y a la Comunidad de Paz.
Garantizar el derecho de la Comunidad a tener un Proyecto de Vida no
violento que les permita permanecer fuera del conflicto, sin sufrir
señalamientos, amenazas o ataques por ello.
Agradeczco de antemano la atención prestada a este asunto y ruego que
me mantenga informado de los avances en la investigación del caso.
Atentamente,
XXX
MINISTERIO DE DEFENSA
Dr. Jorge Alberto Uribe Echavarria
Ministro
BOGOTÁ
Av. Eldorado, Carrera 52,
Of. 217 CAN
Fax:
0057-1-266 0351
Tel:
0057-1-266 0179
0057-1-266 0185
MINISTERIO DE RELACIONES EXTERIORES
Dra. Carolina Barco - Canciller
BOGOTÁ
Calle 10 # 5-51 Piso 3
Fax:
0057-1-562 7822
Tel:
0057-1-566 6652
0057-1-566-2008
VICEPRESIDENCIA DE LA REPÚBLICA
Francisco Santos
Vicepresidente de la República
BOGOTÁ
Palacio de Nariño
Carrera 8 # 7-26
Fax:
0057-1-566 2387
0057-1-565 7682
Tel:
0057-1-444 2120
0057-1-444 2122
0057-1-444 2123
FISCALÍA GENERAL DE LA NACIÓN
Dr. Luis Camilo Osorio - Fiscal General
BOGOTÁ
Diagonal 22B, 52-01, Bloque F, Piso 4
Fax:
0057-1-570 2217
Tel:
0057-1-570 2000
Ext. 2003