janeiro 27, 2005

Crise e governabilidade

Já leram o título? Experimentem soletrar sem bocejar. O problema da malfadada crise da política tem como tudo na vida pelo menos duas razões (uma pequena e outra grande). A menor de todas, é o enlevo basbaque com que a maioria dos jornalistas lêem as colunas de opinião dos cronistas de sempre. É verdade que o respeitinho é muito bonito, mas esse verdadeiro sentimento de pasmo leva-os a problematizar um pais que não existe. Segundo os Cronistas Vitalícios da Imprensa Que Temos, os maiores problemas pátrios seriam a separação entre os deputados e os eleitores, a crise das élites políticas, etc... Sejamos sérios, este tipo de coisas não interessa ao menino Jesus e não adianta nem atrasa para a porcaria de situação em que vivemos. As nossas élites políticas não são piores do que os nossos empresários - segundo um estudo europeu, dos mais bem pagos da Europa e dos mais incompetentes-, e também não são piores do que a generalidade da população portuguesa- Pelo menos a fazer fé nas audiências de determinados programas de televisão.
O nosso grande problema político é que PS e PSD sucedem-se a governar com os resultados que se conhecem. Estamos na Europa, em que o modelo de desenvolvimento tem uma preocupação social que é baseado num desenvolvimento económico intensivo, alicersado na produtividade e na formação da mão de obra. No entanto, PSD e PS fizeram de nós a Malásia do velho continente, pretendendo construir um desenvolvimento económico que apostasse na fuga ao fisco, no baixo poder de compra e na pouca inteligência. Esta estratégia gorou-se - nem mesmo o centrão conseguiu que ficássemos tão miseráveis quanto os malaios - e o tempo dos subsídios europeus está-se a esgotar. E para mal dos nossos pecados a China, a India e até a Malásia concorrem com Portugal nos mercados português, europeu e mundial. Nós estamos, na expressão celebrizada pelo insigne José Barroso, "de tanga" e bastante lixados. O tempo passou. A factura vem ai. Mas podemos esgotar o que resta a discutir a ligação entre eleitores e eleitos. No intervalo, podemos sempre escolher ministros entre a Iberdrola, a Shell e a GALP e esperar que Deus seja português.

Publicado por NRA em janeiro 27, 2005 12:27 PM
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