No meio de comunicação em que trabalho fomos alertados para um "facto escaldante" sobre o candidato José Sócrates que tinha sido publicado por um reputado colunista brasileiro. Consultamos o artigo em questão, que entretanto foi transcrito para a primeira página do impoluto semanário "O Crime", verificamos que o dito escriba afirmava que o líder do PS mantinha uma relação sentimental com um conhecido actor português. Um camarada meu falou com o autor das linhas que confirmou ter escrito o texto e afirmou que tinha tido conhecimento dos "factos" por um jornalista português.
Segundo me disseram elementos da JS, como por artes mágicas os cartazes do candidato socialista têm sido vandalizados em vários locais: onde se lê "Portugal tem um rumo", passou a estar um "Portugal tem um roto".
É óbvio que esta campanha, aproveitando a homofobia dos portugueses, que divulga a alegada homossexualidade do líder socialista, não é inocente e foi orquestrada. Apesar deste facto ser suficientemente grave, ainda não mereceu nenhum editorial ao esclarecido José Manuel Fernandes, nem uma linha à nova musa da direita portuguesa Helena Matos.
Sobre o que se passou no debate de Francisco Louçã com Paulo Portas: é óbvio que Louçã não é homofóbico e que não pretendia fazer insinuações sobre a orientação sexual de Paulo Portas. O dirigente do Bloco perdeu as estribeiras depois do líder do PP chamar assassinos aos defensores da descriminalização do aborto e respondeu de uma forma irritada e pouco inteligente, mostrando que também se descontrola. Este erro foi bem aproveitado pelo jornal Público, que depois de uma semana sem praticamente falar do Bloco de Esquerda, aproveitou para vender gato por lebre. Nuno Sá Lourenço, que não costuma deixar que os factos se entreponham entre ele e uma boa notícia, deve ter andado o dia todo à caça de um qualquer incauto líder do Bloco que lhe respondesse de forma a sustentar a tese da reportagem e o conteúdo do editorial de José Manuel Fernandes. Teve sorte e encontrou um "inocente útil": João Teixeira Lopes. No entanto, a evidente manipulação da notícia não torna desculpável o comentário de João Teixeira Lopes. Ninguém tem nada a ver com a vida privada de Paulo Portas e o Bloco de Esquerda é o último partido em que se esperaria ouvir alguém dizer dislates sobre a alegada contradição entre o discurso público, sobre moral, do líder PP e a sua vida privada.
É necessário que toda a esquerda recuse respostas que a coloquem ao nível da direita. Francisco Louçã devia ter sido mais hábil a denunciar a repugnante acusação de Paulo Portas de que os defensores das mulheres que abortaram são contra o direito à vida, mostrando o ridículo da acusação obrigando-o a confirmar que tinha acusado de genocídio de vidas humanas a todas as mulheres que abortaram e a todas as pessoas que não estão de acordo com uma lei que leva as mulheres a tribunal pelo o crime de interromperem a gravidez. Os olhos da filha de Louçã e a falta de entusiasmo reprodutor de Paulo Portas não eram para ai chamados.
A diferença está que quando o Louçã refere a evidente falta de entusiasmo reprodutor do Paulo Portas está a falar verdade, sem cinismos, e quando se tenta denegrir a imagem pública de Sócrates com alegadas tendências homossexuais entra-se no puro campo da calúnia sem fundamento. E é curioso recuar no tempo e perceber desde quando isso começou a ser arma da política. Eu ajudo: desde que o Paulo portas chegou ao governo. Coincidências...
Deixe-me só dizer-lhe o que penso sobre o assunto que o preocupa:
1- o jornal O Crime é uma "coisa" inqualificável. Não por escrever sobre crime e castigo, mas por escrever mentiras sem castigo. Infelizmente, é um estilo que se tem revelado contagioso... é que há cada vez mais jornalecos e revistas do género como, por exemplo, é o caso da Focus, que não só atropela impunemente o projecto editorial da Focus mãe, como já se provou ser dirigida por um tipo profisasionalmente incompetente,
incapaz de resistir às pressões do patrão fascista. O sr.Jacques R., dono da
Focus, ganhou fortuna a fazer e vender revistas pornográficas e outras mais
ingénuas de sabor populista. Só se publica nas revistas dele o que o homem
quer e deseja, nada mais. Nenhuma das revistas do sr.Jacques tem estatuto
editorial sério. Dou-lhe um exemplo: é raro ser publicada uma fotografia de um
negro, mesmo que seja uma notícia incontornável. Se reparar, a Focus tem cada
vez mais mulheres nuas e menos notícias. Não julgue que tenho alguma coisa
contra o sr.Jacques: pode mesmo ter a certeza. O homem não respeita ninguém e,
por isso, não merece respeito. Nem merece que lhe comprem as porcarias que
manda publicar... pena é que tanta gente dependa dos miseráveis salários que
ele paga. O que o sr.Jacques gosta é de lixo informativo e de escândalos. Não
se admire se, um destes dias, a Focus publicar a história de que o Sócrates é
homossexual... mesmo sabendo que é mentira.
Excelente comentário, só precisa de ser provado.
Eu por exemplo trabalho na Focus, já trabalhei na SIC e no Já e nunca vi ser publicada uma mentira. Mas devo ser eu que ando distraído.
Meu caro Eleutério (custa-me chamar-lhe isso, até porque me parece que esse não é o seu nome), o caminho para contrariar essas mentiras é não começar com uma. Não acha?
Eleutério Ramalho, algarvio de gema exilado em Lisboa, um criado às suas ordens. O senhor faz o quê na Focus? É que nunca lá vi nada parecido com o que o sr escreve aqui. Nem no estilo, nem na pertinência. Ou será que é porque tudo o eu disse antes é verdade? Nem pretos, nem jornalismo decente... Mas veja lá o que me responde. O seu patrão deve ter quem lhe relate o que por aqui vai...
Afixado por: Eleutério em janeiro 30, 2005 06:31 PM