Os posts, de João Miranda do Blasfémias, a tentar provar a infinita "naturalidade" do liberalismo, lembram-me sempre que os leio uma velha história de família:
A minha tia avó foi expulsa do ensino superior português no tempo de Salazar. Na altura foi para os Estados Unidos fazer um doutoramento. Um dia distribuiram na aula dela um teste para as pessoas conhecerem o seu posicionamento político. A minha familiar preencheu o teste, conferiu os resultados, e deu "muito à esquerda". Ao lado dela, um norte-americano, recioso que as autoridades universitárias soubessem das suas ideias políticas, respondeu "não sei" a todas as perguntas. Quando corrigiu o seu teste, verificou, com pasmo, que tinha dado "liberal".
De facto, a beleza dos posts de João Miranda é a sua infinita simplicidade, o problema é que ele tem a pretenção de pensar que aquilo é evidente. De simplicidade, em simplicidade ele chega a uma caricatura total das coisas e atinge um estado de ignorância redonda. Uma espécie de raciocinio do tipo: todas as pessoas têm pernas, todas as cadeiras têm pernas; todas as pessoas têm pés, todas às cadeiras têm pés; todas as pessoas têm unhas logo todas as cadeiras têm unhas...
Um dia destes João Miranda descobrirá que está provado estatisticamente que as pessoas que vestem Armani são menos apanhadas a fazer roubos de esticão e dai concluirá, arguto, que os fatos Armani impedem o roubo.
Gostei do Armani! Subscrevo a campanha do Ministério da Administração Interna "por Armani contra o crime".
Afixado por: mijanaesquina em setembro 1, 2004 10:03 PMPorque é que a tua tia avó não foi fazer um doutoramento para a URSS, ou para a china ou para outro país qualquer onde cantem os amanhãs e assim conseguir uma melhor classificação nos testes e ainda obter uma autorização para assistir ás reuniões de um qualquer Comité Central ao abrigo de um qualquer acordo de cooperação entre o país dos amanhãs que cantam e as JPOCO (juventudes progressistas e oprimidas do capitalismo Ocidental)?
Afixado por: 605 Forte em setembro 7, 2004 04:34 PMCaríssimo 605 Forte,
A minha tia avó nunca foi comunista. Defendia a liberdade, foi expulsa do ensino por isso. Numa altura que vocÊ provavelmente andava, ou gostaria de ter andado, a cantar o "lã vamos cantando e rindo" e a usar uma fivela com um S. De resto, o seu comentário revela mais uma mente esclarecida do liberalismo: que verve, que poder de observação. O nome de veneno também foi bem escolhido. Mas podia ser melhor: bosta acentava-lhe como uma luva.
Nunca vi ninguém de barba engravidar, logo ter barba é um bom contraceptivo...
"Não aborte, deixe crescer a barba"...
O termo "liberal" nos USA significa leftie, i.e. esquerdista.
("recioso"??)
CAA
Adorei o post, mas não posso deixar de referir que os comentários e a tua resposta ao 605forte foi de mestre
abraço blogueiro