Depois de ter visto um péssimo filme, tentei escolher algumas fitas que me tocaram, para tirar o mau sabor da boca e da retina. Tarefa difícil! Os filmes são como as cerejas: atrás de uma memória, surge sempre outra. Não consegui pensar só em 10 filmes, parei numa lista provisória de 13 filmes, com muitas batotas.
Do Orson Welles consegui resumir o, muito, que gosto a três filmes. Não incluo o "Citizen Kane", que, estranhamente, nunca consegui sentir. É muito bem feito, mas não se me entranha. Não confirma o slogan publicitário do Fernando Pessoa para a coca-cola: "primeiro estranha-se, depois entranha-se!"
1- "A Dama de Shangai" (1941) - Gosto do espaço do narrador e da voz da história. Um dos momentos mais fortes, para mim, é a descrição dos tubarões. O céu torna-se pesado com as palavras. Para tudo contribui, em todos os minutos, Rita Hayworth: é quente e mortal. Já no filme "Gilda" (1946), ela demonstrava que era muito sensual a despir um par de luvas; muito mais do que a maioria a fazer qualquer coisa. A cena final com os espelhos, apesar de ser, normalmente a mais referida, sofreu a usura do tempo. O exorbitante número de "citações" posteriores em muitos filmecos - abuso que só foi ultrapassado, em número, pelo duche do "Psico" - , pode ajudar a explicar a perda de força da sequência.
2- "A Sede do Mal" (1958) - É genial o primeiro travelling da passagem da fronteira. E obrigar Charlton Heston a fazer de mexicano é uma vingança irónica.Muito deve ter custado, o papel, a esse velho racista.
Nas imagens, a maldade sente-se em todos os momentos, mas raramente se vê.
3- "F de falsário" (1976) - Um filme quase documentário em que a verdade e a mentira se escondem e confundem. Descobrimos que, se calhar, andamos a admirar os bezerros dourados, desde de que devidamente certificados pelos especialistas. A história final do Picasso é deliciosa. Finalmente, as reacções (reais) na rua à passagem da actriz croata Oja Kodar são reveladoras da fome da época.
Deixo escrita o resto da preferência para voltar a escrever as muito subjectivas razões da escolha:
4- "M" (1931) de Fritz Lang
5- "As Vinhas da Ira" (1940) ou o "Vale era Verde" (1941) de Jonh Ford
6- "A Corda" (1948) do Hitchcock
7- "A Ascensão" (1976) da Larissa Shaptiko
8- "A Dupla Vida de Verónica" (1986) - de Kiezlowski
9- "Blue Velvet" (1986) de David Lynch
10- "Apocalypse Now" (1979) de Francis Ford Coppola
11- "Andrei Rublev" (1966) de Tarkowski
12- "Crash" (1996) de Cronemberg
13- " Fight Club" (1999) de David Finch
Amigo Nuno, coisa estranha. Então não é que temos em comum para aí uns cinco filmes (embora eu desdobrasse, definitivamente, o ponto 5. em dois). Em relação ao Citizen Kane precisamente o mesmo, as angústias dos poderosos não me tocam. O Touch of Evil é mesmo o meu preferido (o travelling inicial é infinito). Beijinhos. Carla de Elsinore
Afixado por: Carla de Elsinore em julho 13, 2004 03:16 AM