Quando alguém fala que o Presidente "é de todos os portugueses", normalmente bocejo. O primeiro-ministro também governa para todos os portugueses e ninguém pensa que as políticas que faz têm o acordo de todos os cidadãos. Quando se elege alguém, faz-se uma escolha. Se todos os candidatos presidênciais agissem como se fossem de "todos os portugueses", fariam supostamente tudo da mesma maneira e não valeria a pena irmos a votos, perdendo tempo a comparar programas e a fazer opções. Em vez de eleger um Presidente da República, devia-se abrir um concurso público para um notário superior, com vocação para corta-fitas e assinar de cruz.
O actual presidente Jorge Sampaio reduziu, até à semana passada, o seu importante cargo a passeios, discursos não escutados e a uma concepção da presidência que torna inútil o voto de quem o elegeu. Pagam-lhe para fazer política e ele só a fez, quando optou pelos argumentos das direitas. Escusa é de dizer que "é de todos os portugueses". Quando teve de optar, mudou de maioria, passou para os que não o elegeram e colocou-se como co-responsável da política de governo da direita. Cada vez que uma fábrica fechar, que se continuar a delapidar o património público e que os assalariados continuarem a ser os únicos a pagar impostos - estas políticas e opções terão um pai (o Dr. Santana Lopes) e uma extremosa mãe (o Dr. Jorge Sampaio). Adeus e felicidades Dr. Sampaio!