junho 30, 2004

Cruyff

"Um jornalista brasileiro chamou-a de "desorganização organizada". A Holanda tinha música e o que regia a melodia de tantos sons simultâneos, evitando a confusão e a desafinação, era Johann Cruyff. Maestro da orquestra e músico, Cruyff trabalhava mais do que todos.
Aquele magrinho eléctrico tinha entrado para o Ajax quando era menino: enquanto a mãe servia na cantina do clube, ele recolhia as botas que iam para fora, limpava as chuteiras dos jogadores, colocava as bandeirinhas nos cantos do campo e fazia tudo o que lhe pedissem e nada do que lhe mandassem. Queria jogar e não deixavam, pelo seu físico demasiado frágil e o seu carácter demasiado forte. Quando o deixaram entrar, ele ficou. E ainda miudo estreou-se na selecção holandesa, jogou estupendamente, marcou um golo e com um murro fez o árbito desmaiar.
Depois continuou sendo esquentado, trabalhador e talentoso. Durante duas décadas ganhou 22 campeonatos na Holanda e na Espanha. Parou aos 37 anos, quando acabava de fazer o seu último golo, nos braços da multidão que o acompanhou do estádio até a sua casa".
EDUARDO GALEANO

Publicado por NRA em junho 30, 2004 03:49 PM
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