Estou de acordo. O tempo não veste de azul (algum, alguma vez usou a cor dos céus?), pelo que se adivinham tempestades. Estou de acordo com José Manuel Fernandes, partindo do princípio que as nuvens não são resultado de camuflagem estratégico-militar. E o editorial lá vai descambando, como é hábito, para o patético-poético nas descrições do mau tempo que nos espera, com as «nuvens a adensarem-se em todos os horizontes». Até que chega a conclusão, perigosa como sempre: precisamos de «homens determinados até à teimosia e optimistas até à irracionalidade». Fernandes anseia por que bela e franksteiniana mistura? Déspotas esclarecidos, predestinados por Deus e bem formados pelo Homem, assim como um pai ideal, feito com o ar bon vivant e maroto do Churchil, com a pose vaidosamente estadista de um De Gaulle, a verve encantatória de Lenine e a firmeza esclarecida de Franco? E por que não um qualquer D. Sebastião, cruzamento de Monarca, Condutieri e Führer mas politicamente correcto? Pode sempre sair desta genética ansiosa um determinado até à irracionalidade e optimista até à teimosia. Por detrás do nevoeiro apocalíptico, quem se chega à frente? Quem és tu, romeiro do populismo?
Publicado por João Paulo Cotrim em junho 18, 2004 06:52 PM