O ter existência física no 25 de Abril de 74 tem a desvantagem de já só ser "jovem agricultor", mas tem a benesse de me lembrar de muita coisa.
Sobre a degradação da política, o insulto e o grau zero do pensamento, recordo-me sempre de um folheto nas primeiras eleições presidênciais, em que se via, o candidato, Almirante e então primeiro ministro, Pinheiro de Azevedo vestido de centurião e com uns grandes tomates, inchados e vermelhos a aparecer por debaixo da saia. A Judiciária tomou conta da ocorrência e investigou os culpados deste crime lesa-magestade. Qual foi a surpresa dos agentes, quando descobriram que o folheto tinha sido mandado editar pelo próprio Almirante...
É verdade, nos anos quentes da revolução havia insultos e foclore, mas em Portugal decidiam-se coisas nas eleições. Hoje, parece que independentemente quem se vota o resultado é parecido.
O problema desta campanha, não é o excesso de berraria, mas a falta de interesse e participação. As pessoas estão demasiado embrenhadas em sobreviver para colocarem a cabeça para cima e tentarem perceber como estas eleições podem ser importantes. Para manter o tom, sempre quero dizer, que apesar das questões europeias serem muito importantes, acho que o mais fundamental é tornar insustentável a existência deste governo. Apanhar o Durão de calças na mão...
O que insulta mais a nossa inteligência nesta campanha são piadinhas de telemóvel, à Deus Pinheiro e a perspectiva de os aturar mais tempo. Como diz o Rui Tavares (do Barnabé): ET amigo leva estes tipos!