junho 02, 2004

Um folheto de Deus

Na minha caixa de correio desceu, esta manhã, um desdobrável de Deus. Pinheiro, que Deus não é certamente e a mística não bate assim. Fiquei triste por ter vindo com o correio e não gosto de más notícias por junto com as minhas cartas. Também não gostei que os CTT tivessem desrespeitado a minha vontade: «publicidade não solicitada nesta caixa não!». Enfim, trata-se de propaganda e – muito importante – vem de Deus e dirige-se a Portugal, penúltimo país na proximidade ao Senhor, para quem vem de baixo. (O primeiro é, adivinhou, o Vaticano, i.e., a América., i.e., estou confuso e indeciso...). «Uma Candidatura com voz na Europa e no Mundo», diz o título que leva batente, o que o surgir a nossos olhos como como voz tremida. Tremo por pensar que as eleições são também para o Mundo... Abro a primeira parte da coisa e o fundo lembra a pele das notas, seja de dólar ou euro ou o outra divisa qualquer. Por que raio conversão há-de ter sentido místico e monetário? Primeira lição: estas eleições tratam de dinheiro e de fé (futebol). Força, eleitor(a). Leio o texto, curto que acaba apelando à negociação e ao voto. Pelo meio diz que o presente é mau por causa do passado, mas o futuro, dentro de dois anos, será brilhante: Portugal vai crescer acima da média europeia e a criar emprego sustentado. Segunda lição: se o presente está entalado entre o mau passado e o bom futuro, estaremos sempre fodidos pois estamos condenados a ver no presente (futebol). Força, eleitor(a). Na bandana do meio vem cortejo de doutores e professores, mas é melhor ignorar pois Deus, pelo menos no Novo Testamento, não os tem em boa conta. Nota: Portas não ri, pelo que não há lição a tirar. Lá no fim, vem uma mão em gravura a marcar o x no quadradinho da coligação. Mão fixa, mão morta. Terceira lição: são assim os eleitores de Deus, mãozinha cristalizada a fazer que sim, que Xim. É um pontapé (futebol). Força, eleitor(a). Venha o exame, que a lição está estudada.

Publicado por João Paulo Cotrim em junho 2, 2004 04:56 PM
Comentários

Quem será que fez o marketing das campanhas dos vários Partidos? As Produções Fictícias??

Afixado por: Sr. Mofo em junho 2, 2004 08:22 PM

Caro eleiro, excelente sugestão: este é um país de riso, gerido porgajos em graça, contratados por gajos sem graça para nos fazer rir:as produçoes de ficção.

Afixado por: JPC em junho 3, 2004 12:41 AM

sinto-me um privilegiado e considero até uma carreira eclesiástica que julgava não fazer parte dos meus horizontes. Não só recebi o desdobrável de Deus, Pinheiro, como também o "flyer" da nossa Senhora, injustamente excluída das raízes europeias no parlamento de Estrasburgo. A distribuição efectuada em Fátima e largamente glosada há um par de semanas alastrou à capital. Não tarda tenho direito à minha aparição.

Afixado por: Pedro Vieira em junho 3, 2004 11:15 AM