maio 30, 2004

Não havia necheexidade...

O jornalista Luciano Alvarez produziu, no "Público", um comentário aos últimos cartazes do Bloco de Esquerda, com um simplismo enternecedor. Ele acha que se trata de um apelo à mocada, comparável às mocas de Rio Maior e aos assaltos às sedes dos partidos de esquerda, feitos pela extrema direita, em 1975.
A mim incomoda-me, para além da ignorância do que se fala, esta incapacidade para perceber o que se diz para além das letras. É evidente, que o cartaz do Bloco é um apelo ao voto de protesto que se formaliza numa espécie de Zé Povinho. Provavelmente, na quinta do José Manuel Fernandes ainda ninguém percebeu que existe uma situação social de desespero em grande parte da população portuguesa e que, em democracia, esse descontentamento deve ser saudavelmente canalizado para as eleições.
E embora, normalmente, goste do trabalho jornalístico de Luciano Alvarez, acho que esta coluna de opinião do Público ajuda a linha daqueles "inocentes vestais", pouco virgens, que se preocupam muito que Carlos Carvalhas tenha chamado "cobarde" a Durão Barroso, mas perdoam ao primeiro ministro ter insinuado que o PCP era co-responsável por eventuais ataques terroristas em Portugal. Ao contrário do que defendem essas almas sensíveis, o perigo para a democracia não está numa linguagem mais clara, mas na confusão oportunista entre terrorismo e oposição. O que alguns gostariam de fazer passar é que todos os que se opõem ao "amigo" Bush e aos seus moços de estrebaria - onde pontifica Durão Barroso - são amigos do terrorismo.

Publicado por NRA em maio 30, 2004 04:00 PM
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