O artigo do Vasco Graça Moura (VGM) sobre os atropelos do PREC prova, mais uma vez, que um bom tradutor pode ser um mau político. Faz juz à etimologia da palavra "tradutor", VGM trai muitas vezes a verdade.
Sobre os inquéritos "políticos" do pós 25 de Novembro e a "justiça" que daí decorreu queria contar uma história de que vivi. Em 1999, trabalhava eu na SIC, fui fazer uma reportagem sobre "crimes políticos". Escolhi o caso dos dois trabalhadores rurais alentejanos Caravela e Casquinha mortos a tiro pela GNR. Durante a reportagem consultei o processo, falei com o magistrado que instruíu a investigação, encontrei-me com familiares e testemunhas e fui ao local do crime. Os trabalhadores rurais foram assassinados a tiro de G3 pela GNR, em 1979, durante uma entrega de terras de uma cooperativa do Escoral ao antigo latifundiário. O inquérito dava como provado que a GNR tinha atirado para o ar, defendendo-se de tiros dos assalariados rurais. Tive a sorte de no decurso da reportagem falar com o advogado da acusação, Fernando Luso Soares, que me mostrou uma sequência de fotografias dos acontecimentos tiradas por jornalistas Suecos. As imagens e o testemunho dos jornalistas provam que os trabalhadores não estavam armados e apenas contestavam a entrega do gado da cooperativa - que tinha sido criado posteriormente à reforma agrária - ao agrário. Vê-se nitidamente a acção da GNR e os dois homens, um com 17 e outro com 65, desarmados e mortos no chão. O caso foi tão escandaloso, que na época contava-se uma anedota sobre os alentejanos. Dizia-se que eles eram os homens mais altos do mundo - sempre que a GNR atirava para o ar, matava dois...
Naqueles tempos "cozinhavam-se" acusações de conveniência sobre os detidos do 25 de Novembro, mas nunca se condenou os assassinos da rede bombista, nem os homens que mataram Caravela e Casquinha, nem sequer os polícias de intervenção que mataram, à queima roupa, trabalhadores no Porto, na véspera do 1º de Maio.
Quando, sem pinga de vergonha, alguns pretendem limpar a tortura no Iraque com documentos mentirosos e datados, lembrem-se que em Portugal nem os PIDES foram condenados e um governo do Cavaco chegou mesmo a condecorar dois!
Sobre esta matéria, com noutras, deviam pelo menos lavar os dentes.
Bem Nuno, fazes muita falta à malta, sabes?
Afixado por: Carla de Elsinore em maio 28, 2004 02:42 PMNão fazia a mínima ideia sobre estes acontecimentos. Estou aterrado.
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Afixado por: Dito Cujo em junho 20, 2004 07:54 AM