maio 14, 2004

tortura chinesa

vou inventar o argumento de elástico. A tortura de hoje (minha) é justificada pelo silêncio acerca das torturas de ontem (dos outros). Inacreditável o argumento: não se pode comentar a tortura actual dos amigos norte-americanos se, porventura, estivémos calados em 1975, em torno dos excessos copcónicos. Eu, naquela altura já sabia ler, e até, quem sabe, ver. Dão-me licença que critique HOJE toda e qualquer tortura? Note, senhor Pacheco e doutor Moura, este intelectual, aquele poeta, talvez vice ou versa: posso a qualquer instante denunciar, gritar, guinchar como inumana e desnecessária a tortura. Não é a minha segurança, nem mesmo a minha civilização ou até os meus livros que justificam os meios para chegar a uns fins que se perderam. Não, na minha civilização pessoal e intransmissível, mas partilhável não vale a tortura. E que tal um choque (civilizacional) nos tomates? Mais tarde ou mais cedo, vão senti-lo. É lá que está o meio (geográfico) de uns fins que são fisga cega, demasiado cega. Humana e elástica. Ou eléctrica. Ai.

Publicado por João Paulo Cotrim em maio 14, 2004 02:24 AM
Comentários

Grande post, animal.

Afixado por: Nuno Ramos de Almeida em maio 14, 2004 03:22 AM

Boa, boa!

Afixado por: Luis Rainha em maio 17, 2004 12:47 PM