Decididamente, as aparições regressaram a Fátima. Depois da Virgem de há uns anitos, apareceu agora em voo planado sobre a Cova da Iria a musa da Poesia. E foi pousar justamente na mitra do Bispo de Leiria/Fátima.
Hoje mesmo a TSF transmitiu, na sua patusca rubrica "Mel com Fel", o resultado de tal epifania: um pequeno poema deste eclesiástico vulto!
Preparem-se. Trata-se uma reflexão, em verso de pé-quebrado, sobre a morte de Miklos Fehér. Julgávamos nós que, depois de morto, já nada de mau lhe poderia suceder...
Dei-me agora ao trabalho de transcrever a obra. Uma coisa destas não se pode deixar entregue ao desmazelo da oralidade; tem de ser preservada e divulgada! (Se bem que algo se perde na aridez do texto impresso, assim privado do arroubo da dicção empolgada do Bispo-Bardo. )
Cá vai disto:
Sorriso de Fehér
A morte foi um poema
Que deu na televisão
Um sorriso após a pena
E o desmaiar para o chão
Ironia e humor
Foi reacção ao castigo
Para o jovem de Gyor
Respondeu com sorriso
Todo o Povo Português
E milhões em todo o Mundo
Viveram mais uma vez
Um sentimento profundo
"Fehér" significa "branco",
Outra cor, penalidade,
Oxalá tenha no banco
Valores para a Eternidade
Uma breve entrevista
Mostrou a televisão
Um portista desportista
Que chorava o seu irmão
Os colegas de Fehér,
Todos nós, com certeza
Vamos na vida entender
O mistério e a beleza
Mais mistério que beleza
Por exemplo: "quem sou eu?"
Eu respondo com franqueza:
"Saberei melhor no Céu"
Agora que releio o "poema", já não me parece tão engraçado. À cabeça, vem-me a imagem de um abutre de sotaina a rondar um cadáver ainda morno; um vampiro que aproveita a dor alheia para impingir mais uma prestação do seu credo. O "Altar do Mundo" está bem entregue...