Sempre que há crise, os nossos governantes vêm afirmar, pela enésima vez, que a culpa é da Constituição. O nosso primeiro - que Deus o tenha na sua santa guarda - descobriu que a lei fundamental foi feita sob pressão da populaça. “Em Portugal, a Constituição não surgiu democraticamente”, jura Durão Barroso. Douta opinião que não colhe o acordo do constitucionalista Jorge Miranda, na altura deputado do PPD: “Não concordo. A Constituição foi votada por uma Assembleia Constituinte eleita democraticamente, com deputados livres, com posições contrárias às dominantes ao nível político e militar e foi aprovada em 1976, depois de ter passado o período revolucionário”, contrapõe um dos “pais” da Constituição.
Eu cá pela primeira vez na vida estou de acordo com o cherne da Uva. De facto, a Constituição foi condicionada. Infelizmente, esse condicionamento não foi feito pelas hordas ululantes de operários da construção civil, mas pela falta generalizada de túbaros em determinados políticos.
Essa particular insuficiência fisiológica é provada com o recurso a qualquer constituição anotada, nas páginas das quais, vamos descobrir que o CDS e o PSD votaram favoravelmente artigos como a orientação socialista da revolução e a obtenção de uma sociedade sem classes.
“Quem tem cu tem medo”, afirma o povo. Viviam-se tempos conturbados, o órgão central da JSD chamava-se “Rumo ao Socialismo” e nas ruas de Lisboa era possível ver Durão Barroso a transportar de camioneta, para a sede nacional do MRPP, os móveis “requisitados pelo povo” ao Conselho Directivo da Faculdade de Direito de Lisboa.
O que a pressão dos proletários enraivecidos conseguia nas cabeçinhas mais fracas dos jovens maoistas e nos “democratas” com poucos tomates.
É bom ver gente a relembrar as memórias curtas de alguns. Bravo.
Boa amigo Nuno, é sempre um prazer ler-te. E bom, ainda bem que alguém "os vai tendo no sítio".
Afixado por: carla em dezembro 1, 2003 04:16 AMNa mouche!
Xeque ao Cherne. Ou será Cheque ao Xerne?...
Bom, o que interessa é que, no que concherne à constituição, deste em cheio no cherne da questão: os tomates.
Não há como uma boa tomatada de Xerne. Ou será laranjada de Cherne?
Ai esta memória...