Antes de mais, temos a agradecer, claro está, a gloriosa designação de "Campeão dos Infiéis" com que o Mata-Mouros nos distinguiu.
Confessamos sem vergonha que nos "regozijámos" com a notícia que dava conta do citado estudo. Também admitimos que citámos a frase hilariante de Stuart Mill. Mas digam-nos; se as circunstâncias fossem simétricas, vocês não se lançavam para o chão em alegre "regozijo"? Desculpem lá, mas a coisa tem mesmo graça...
No entanto, não "rebatemos" Ken Hamblin; precisamente porque ele não "se deu ao trabalho de desmontar aquela douta tese". O que o fulano fez foi simplesmente reduzir o estudo a mais uma "cabala" dos detestados liberais, sem sequer dar mostras de o ter lido ( o que eu também não fiz, daí não ter dissertado sobre ele) e sem sequer cuidar de saber se os autores são mesmo "liberais".
O pouco que já li revela-me, no entanto, que ali não houve um "esforço de encaixar Hitler em qualquer corrente do pensamento conservador". O que os autores escreveram, e apenas num anexo ao estudo, foi que: "One is justified in referring to Hitler, Mussolini, Reagan, and Limbaugh as right-wing conservatives, not because they share an opposition to 'big government' or a mythical, romanticized view of Aryan purity — they did not share these specific attitudes — but because they all preached a return to an idealized past and favored or condoned inequality in some form."
A ideia de que os autores "associam", "ligam" ou "comparam" Hitler com Reagan parece assim surgir apenas no contra-ataque conservador.
Quanto ao "atribuir uma dada qualidade a uma pessoa pelo simples facto desta aderir a uma ideia ou a uma ideologia", o Nuno já tinha avisado que "No artigo, publicado na revista científica ‘Psychological Bulletin’, os autores escrevem, contudo, que a sua teoria não implica que ‘o conservadorismo seja patológico, nem que as crenças conservadoras são necessariamente falsas’."
Se eu considero ou não "de carácter científico" esta tese, só saberei depois de a ler com alguma atenção. A priori, não tenho ainda nenhum alicerce sólido em que apoiar uma opinião. Limito-me a uma desconfiança prudente quando confrontado com notícias tão jubilosas...
Que o estudo me parece mais sério que as elucubrações do Lombroso, já não duvido; aqui, ninguém fala de "desvios mentais", apenas de um possível modo de funcionamento de psiques que resistem à mudança e sonham sempre com regressos a passados idealizados.
Se igual explicação fosse dada para diagnosticar indivíduos que querem escavacar e revolucionar absolutamente tudo – como o Mao da Revolução Cultural- também não me escandalizaria.
Publicado por Luis Moura em agosto 15, 2003 11:04 PM