A crise económica tem liquidado empregos. Os jornais, as rádios e as televisões não são excepções. Para conseguir esta ginástica do despedimento, os patrões socorrem-se de competentíssimas empresas de auditoria que vão apontar onde cortar: papel higiénico, meios, pessoas, etc...
Consta na profissão que a empresa que fez a auditoria à SIC era particularmente divertida. Uma vez perguntaram às chefias de redacção porque é que continuavam a sair equipas de reportagem para noticiarem incêndios, uma vez que havia já imagens de arquivo de outros fogos. Os jornalistas não ligaram muito, até pelo facto de que uma das anteriores perguntas dos auditores fora inquirir porque é que os editores de imagem perdiam tempo a procurar planos e não montavam com os primeiros segundos que lhes vinham à mão.
Se a auditoria liberal dirigisse mais o jornalismo televisivo, haveria, pelo menos, uma revolução estética. Seria certamente inutil filmar a segunda guerra do golfo, sabendo que havia uns saldos de imagens da primeira guerra do golfo. E naturalmente que as guerras em África podiam ser ilustradas sempre com as mesmas imagens, uma vez que é sabido (nas empresas de auditoria) que os pretos são todos iguais.
Tanta sabedoria faz-me lembrar uma história passada com a minha tia avó. Ela estudava numa universidade dos Estados Unidos da América (EUA), nos anos 50, quando o professor passou um teste para que cada um se apercebesse das suas tendências políticas. A minha familiar respondeu a todas as perguntas e quando corrigiu o seu teste viu que era considerada de extrema esquerda. Um amigo americano receou ser perseguido e respondeu a todas as perguntas, garantindo que "não sabia". Quando corrigiu o seu teste, viu com surpresa que era, definitivamente, "liberal".
Moral da história: na comunicação social, quanto mais ignorante, mais liberal.
Publicado por NRA em agosto 14, 2003 05:28 AM