Luís,
espero encontrar-te menos esmagado (só essa ideia e a visão, do que serias tu assim, horroriza-me).
Não vou continuar por muito tempo esta polémica, porque me obrigaria a reler todos os livros aborrecidos que tive dezenas de anos para perder nas estantes. Mas deixo-te uma cereja, para mastigares.
Carl Sagan comentou, uma vez, uns tipos que garantiam que uma determinada construção tinha proveniência extra-terrestre, porque tinha gravado uma constelação de estrelas só possível de ser vistas de outra galaxia. O cientísta,ou o divulgador (como preferires), respondeu: " é verdade, da constelação X podem ser vistas estas estrelas, a imagem tem várias coincidências que apontam nesse sentido. Mas também da constelação Y, Z, W há coincidências na imagem. O que quer dizer que cada um vê o que lhe apetece".
Este arrazoado vem a propósito da misteriosa citação desdobrável do Deleuze, que ainda ninguém sabe de onde vem mas ela vai crescendo. Com um pouco de sorte, na tua resposta, vais citar o livro inteiro. Dizia eu, esta citação tanto pode dar para o teu famoso "vácuo quântico", como para ilustrar o maior filósofo quase português de todos os tempos: Spinoza.
Ai vai a citação retirada (nós os pobres jornalistas temos que comprovar as fontes ao contrário dos sortudos dos publicitários. A propósito, o dr. Nuno Crato disse no debate se o mundo fosse constituído de matemáticos os publicitários não vendiam nada. Queres comentar?) do prefácio do Deleuze ao Negri, António: "L'anomalie sauvage- Puissance et pouvoir chez Spinoza", PUF, Paris, 1982. PP 9-12):
"Les corps (et les âmes) sont des forçes. Em tant que tels, ils ne se définissent pas seulement par leurs reencontres et leurs chocs au hazard (état de crise). Ils se définissent par des rapports entre une infinité de parties qui compoosent chaque corps, et qui caractérisent déjà comme une "multitude". Il y a donc des processus de composition et décomposition des corps, suivant les rapports caractéristiques conviennent ou disconvennient. Deux ou plusieurs corps formeront un tout, c'est-à-dire un troisième corps, s'ils composent leurs rapports respectifs dans des circonstances concrètes. Et c'est le plus haut exercice de l'imagination, le point où elle inspire l'entendement, de faire que les corps (et les âmes) se reencontre suivant des rapports composables. D'où l'importance de la théorie spinozistee des notions communes...". Como vês é fácil arranjar uma teoria física qualquer parecida...mas é só Spinoza.
"Um vazio que não é um nada, mas algo virtual, contendo todas as partículas possíveis"...
Gilles DELEUZE/Felix GUATTARI, Qu’est-ce que la philosophie, éd. De Minuit, 1991, p.44
Se calhar tens razão e um tal texto não passa de garatujas conceptuais onde cada um vê o que quer. Eu, cá por mim, encontro ali bem mais visível o reflexo do conceito de Vácuo Quântico do que a imagem de Spinoza. Podia dar-me para vislumbrar marcianos...
Ou é como eles dizem na mesma obra:o Filósofo traz do caos "des 'variations' qui restent infinies, mais devenues inseparables sur des surfaces ou dans des volumes absolus qui tracent un plan d'immanence secant" Whatever.
Afixado por: O Saltitão himself em agosto 8, 2003 04:48 PM