Pacheco Pereira acusa, pela enésima vez, o Rendimento Mínimo Garantido de ser a origem de todos os males: Isto de dar dinheiro aos pobrezinhos é um desperdício, só promove a preguiça. E como sabemos a preguiça é a mãe de todos os vícios. Mais vale tirar-lhes o dinheiro para os obrigar a vadiar menos e a trabalhar.
O ponto de vista liberal sobre os pobres é sobejamente conhecido, o que era interessante, para variar, é saber o que pensam estes arautos da justiça social sobre a sentença com que foi brindado o filho do Sousa Sintra. O jovem e prometedor empresário (qualquer dia é ministro) ganhou uma data de dinheiro com uma burla (faz uso ilegal de informação confidencial da bolsa de valores) e foi condenado a uma multa largamente inferior ao dinheiro que lucrou . Isto é que é o Rendimento Máximo Garantido para os amigos.
Em Portugal, a "ajuda" aos grandes empresários sempre foi muito criativa. É conhecido o caso de um grande grupo que comprou um banco com o dinheiro do próprio banco e pagou os juros do empréstimo com os lucros do mesmo. Mas isso era a "Economia", neste caso estamos perante de uma espécie de prémio de roubo: "Rouba,rouba que ainda levas um bónus".
Para registo, aqui fica um excerto de um artigo do José Vitor Malheiros que desenvolve a questão:
O Crime Compensa
Por JOSÉ VÍTOR MALHEIROS
Público, terça-feira, 29 de Julho de 2003
Teve lugar na semana passada um facto destinado a ficar registado nos anais da justiça: a primeira condenação de um caso de "insider trading" em Portugal. O Tribunal Criminal de Lisboa condenou Miguel Sousa Cintra a uma multa de 534.300 euros e a uma pena de 18 meses de prisão, suspensa por três anos, devido a transacções ilegais envolvendo acções da empresa Vidago, Melgaço e Pedras Salgadas.
A pena foi considerada "histórica", "moralizadora" e "educativa" pelas várias individualidades do mundo da justiça e dos negócios a que o PÚBLICO pediu comentários, assim como uma vitória e uma prova da competência da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, do Ministério Público e da justiça portuguesa.
Ninguém poderia deixar de embandeirar em arco com esta vitória da justiça não fosse dar-se o caso de o senhor em questão ter ganho, à conta das transacções ilegais referidas, a confortável quantia de 3,9 milhões de euros. Ou seja: feitas as contas, depois de pagar a sua dívida à sociedade, o condenado ficará com um confortável saldo positivo de 3.365.700 euros.