Passear um livro é uma arte. São de evitar todas as publicações e lombadas citadas pelo Professor Marcelo. As razões são estéticas (não há nenhum livro sobre medalhinhas dos pastorinhos que valha um caracol), mas são sobretudo de coluna: os livros passeados no estúdio pesam na razão inversa da sua inteligência.
Andar com um livro na rua tem mais utilidades do que se possa pensar. A primeira, é que evita que andemos com as mãos a dar e dar, sem destino nem utilidade (nada que um par de algemas não resolvesse), com o acréscimo importante de que há poucas pessoas que valham um bom livro. O que significa que quando saímos podemos evitar conversas desnecessárias.
Finalmente, a parte melhor: um livro serve para ler.
Aqui vos deixo algumas reflexões tiradas de uma obra de Cioran(Le Mauvais Démiurge):
"Seuls comptent ces instants où le désir de rester avec soi est si puissant, qu'on aimerait mieux se faire sauter le cervelle que d'échanger une parole avec quelqu'un". Um pensamento positivo, mas vamos terminar com uma frase imbatível: " Qui êtes-vous - Je suis un étranger pour la police, pour Dieu, pour moi-même".
Serve também como tentativa desesperada de alheamento das conversas de transportes públicos.... ;)
Afixado por: Sandra em julho 28, 2003 10:43 PME lá existe melhor forma de evitar almoços com colegas de escritório?
Não, realmente não há nada como andar com um bom livro na mão.
Afixado por: Petra em julho 29, 2003 12:02 PME um exemplar da "Cozinha Canibal", do Roland Topor, em cima do pc, para deixar o chefe sem fala e a olhar para nós desconfiado quanto à nossa sanidade :D
Afixado por: Sandra em julho 29, 2003 10:24 PMcitando Cioran meu amigo, toda a palavra é uma palavra a mais, ou muitos onde faltam ideias colocam palavras
Afixado por: joaobras em setembro 3, 2003 12:06 AM